« MARKETING TURÍSTICO 10 | Entrada | RELAÇÕES PÚBLICAS 10 »

november 10, 2004

COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL 9

Na base da comunicação está a interacção directa entre dois indivíduos que não pode NUNCA reduzir-se à simples transmissão de uma mensagem.

Comunicação

“No horizonte da Comunicação aparece não apenas a compreensão, mas a não compreensão. Quanto mais comunicação existe mais ela é mediatizada pela tecnologia. Quanto maior é o nº de técnicas de comunicação de que dispomos, que aproximam, que encurtam o espaço e o tempo, maior é a nossa ilusão de conhecimento.
É importante lembrar que comunicar não é gerir as semelhanças mas gerir o que nos separa.”

Dominique Wolton, Les sciences de la Communication aujourd’ hui, in la Communication appliquée aux organisations et à la formation, Dumos, Paris, 1998


Comunicação : realidade ou utopia ?(Philipe Breton)

COMUNICAÇÃO : realidade ou utopia?
Qual a razão do sucesso da Comunicação hoje?
O que entendemos hoje por Comunicação encontra as suas raízes no período imediato do post _ guerra.

Desde 1942 que se conhecem descrições dos seus fundamentos »»»» o que leva às razões da sua formação (Utopia da Comunicação):

»» 1ª afastamento da política
»» 2ª a crise de valores
»» 3ª a progressão do relativismo
»» 4ª a expansão do “domínio do argumentável”
»» 5ª as profundas transformações que sofria o que Pierre Legendre chama a “constituição normativa do humana”, ou seja, as representações sobre “o que é o homem” numa determinada sociedade.

NOVA UTOPIA »»»» 1942 (noção moderna = entre 1942-1948)

Fala-se em “Sociedade da Comunicação” = nova sociedade + ”homem novo”

NORBER WIENER ( matemático americano)A comunicação apresenta-se como “valor post-traumático”, pretensa alternativa à “barbárie”, ao racismo e à sociedade de exclusão »»»» dinâmica reactiva

Três momentos/marcos da Comunicação :
1º momento »» entre 1942 e 1947/1948

Actores de diversas disciplinas concentram-se no que se convencionou chamar: CIBERNÉTICA e constituem-se sob a forma de “rede” a partir de 1942.

Objectivos : construir juntos um campo interdisciplinar que unifique, sob uma mesma designação, um conjunto de frnómenos já conhecidos ( Cardiologia, neurofisiologia,telefonia,electrónica,matemáticas aplicadas e antropologia).

2º momento »» a partir de 1947/1948
Intervenção de Norbert Wiener
Características: vontade explícita de alargar o alcance dessa noção de comunicação ao domínio da análise e, depois, da acção política e social.

3º momento »» estabelece-se numa relação directa com a evolução da sociedade ocidental do post-guerra.

Até então a Comunicação é quase um monopólio reflexivo, exclusivo de investigadores de diferentes áreas associadas às Matemáticas, às Ciências da Natureza e às técnicas com excepção de alguns investigadores das Ciências Humanas como GREGORY BATESON


(Marshall McLuhan) (Canadá)
Nos anos 60 defende a seguinte Tese:

»» as grandes etapas da história da Humanidade derivam directamente das inovações no domínio das técnicas de comunicação. As sociedades humanas “modelavam-se” directamente:

»» no plano cultural
»» no plano intelectual
»» no plano social pelas grandes técnicas que foram, sucessivamente:
»» a escrita
»» a imprensa
»» e os meios de comunicação de massa


Crítica a McLuhan: e os fenómenos sociais anteriores à inovação e que condicionaram o sucesso ou fracasso de algumas técnicas?


Joseph Needham dá um exemplo: o fracasso do desenvolvimento da imprensa na China deveu-se a uma conjugação de factores simultaneamente:
»» sociais - recusa do mercantilismo
»» culturais – materialismo orgânico da filosofia chinesa dominante
»» intelectuais – forma de organização e de reprodução do saber no regime imperial

A COMUNICAÇÃO, NO SÉCULO XX, DESENVOLVE-SE NÃO COMO UMA SIMPLES CONSEQUÊNCIA DA EXPLOSÃO DAS TÉCNICAS NESTE DOMÍNIO

DESENVOLVIMENTO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE MASSA

»»» telefone »»»»» fim do séc. XIX. Generaliza-se depois da 1ª Grande Guerra

»»» rádio »»»»»»» anos 30

»»» TV »»»»»»»»» anos 50

»»» informática »»»»anos 60

»»» multimédia »»»»» anos 80

Nos anos 70 a Comunicação desenvolve-se grandemente não apenas pelo progresso tecnológico mas porque as próprias ORGANIZAÇÕES a desenvolvem no sector dos RH.


(Jean Lohisse)

Informação e Comunicação
1 – Na linguagem comum »»» objectivos diferentes:

• notícias ( news)
• dados ( data )
• saberes ( knowledge)

Ex. uma informação jornalística; transmissão de uma informação electromagnética ….

2 – na óptica científica »»» as posições oscilam entre:

a) – a “confusão” = fala-se indiferentemente das tecnologias de informação ou de comunicação


b )– a “ligação” = comunicação e informação não podem estar dissociadas : a 1ª é o processo; a 2ª o conteúdo
c ) – o “todo” = toda a comunicação apresenta dois aspectos: o conteúdo e a relação de tal forma que o 2º ( a relação ) engloba o 1º ( a informação )
d ) _ o “conflito” = “ A relação contém a mensagem da informação propriamente dita mas acontece que a comunicação se sobrepõe e ‘suaviza’ completamente o conteúdo da informação” (Bougnoux)

Etimologia
Termo Comunicação »»»» dá ideia de “relação com outro”

“Com” = com
Informação »»»»» sentido de “pôr” em forma “in” = formar

Ao dar aos objectos uma dimensão ( forma “comunicável”) comunicacional estamos a “fazer entrar o real no espaço SIMBÓLICO DA COMUNICAÇÃO”.

É este processo de “realização” (materialização) que permite as relações interpessoais e a constituição das formas sociais da troca e da difusão no campo social.

4 domínios de accção das Ciências da Comunicação :

1º - comunicação interpessoal
2º - comunicação nas Organizações
3º - “media”
4º - comunicação na sociedade (C.S.)

(Edgar Morin)
Por que se comunica ?

Para informar
Para SE informar 1


Para conhecer
Para SE conhecer


Para explicar 2
Para SE explicar

Para compreender 3
Para SE compreender

1 – Informação e Conhecimento : Frase do poeta inglês Thomas Eliot : “Qual é o conhecimento que perdemos na informação e qual é a sabedoria que perdemos no conhecimento ?”

Informação
Pode conceber-se como uma unidade discreta. Esta unidade elementar da informação não tem sentido a não ser quando está integrada num conhecimento que a organiza. Diariamente somos inundados por informação sem sermos capazes de a organizar e, portanto, de a conhecer.

Conhecimento
É a “rede” ( o suporte) que permite situar a informação, que permite contextualizá-la, e promover a sua globalização, isto é, colocá-la num conjunto.

Informação
Ruído
TRIAGEM Redundância

2- Explicar
Consiste em ter recursos a determinismos, causalidades, até mesmo finalidades. Consiste em utilizar, com o objectivo de conhecer um objecto, todos os meios disponíveis, lógica e empiricamente, Implica dedução, indução etc.

3 – Compreender

A compreensão introduz a dimensão subjectiva no :
»»»» conhecimento (1)
»»»» e na explicação (2)

O pensamento alemão faz uma distinção clássica que opõe a explicação e a compreensão :


Explicação »»»» caracteriza-se pela sua objectividade

Compreensão »»»»» pelo contrário, a compreensão necessita sempre do recurso a um processo de empatia, de simpatia, portanto, a um processo subjectivo.

1º nível de abordagem :

A explicação (2) permite conhecer (1) um facto humano (sujeito) enquanto objecto.

A compreensão (3) permite compreender (3) um sujeito enquanto sujeito.


É um meio de conhecimento (2). É um instrumento evidentemente sujeito a erros, a “mal entendidos” (boatos)


2º nível de abordagem :

O termo compreensão não só se opõe ao termo explicação mas, a um nível mais amplo, engloba e integra a explicação.


Comunicação Intrapessoal (ou intrapsíquica) »»»»»»
diz respeito a uma só pessoa ( pelo menos aparentemente)

O ponto de partida e de chegada das mensagens situa-se no mesmo organismo e as principais funções dizem respeito geralmente :

»»»»»» ao pensamento
»»»»»» e à sensação

Uma relação informacional remete-nos para a “máquina” uma vez que se instaura um “diálogo” homem/máquina.

Contextos relacionais do Homem :

• relações interpessoais – entre duas pessoas
• relações grupais – quer seja no interior do grupo entre os seus membros (intragrupais) ou entre grupos (intergrupais)
• relações de “massa” – situam-se ao nível do conjunto dos homens, da indiscriminação. Aquilo a que chamamos “os outros” não é mais que o “nós próprios”. Não se trata de uma soma de indivíduos. Há anonimato : designamos “todo o mundo”.


A relação é um elemento fundamental na definição da identidade individual e na constituição da sociedade.

Factores intervenientes na comunicação interpessoal:

• o simbólico
• as respresentações sociais

Mas também há identidade social e cultural onde o termo Comunicação tem diferentes conotações consoante o lugar que ela assume :
• comunhão sobretudo nas sociedades
• participação da oralidade
• partilha

• TROCA »»»»» nas sociedades da “escrita”

Com a chegada da “era dos mass- media” surgem as ideias de :

• transmissão
• difusão e
• comutação como novo sentido global da Comunicação Humana


Interacção
“ Toda a acção conjunta, conflituosa e/ou cooperante entre dois ou mais que dois actores.” (Robert Vion)

»»»»»»» Abrange não só as “trocas verbais” (conversação) como outro tipo de “trocas” (Por ex.:transações financeiras, jogos amorosos,combates de boxe …)

Sentido amplo »»»»»» ”toda a acção empreendida por um indivíduo, seja qual for a sua natureza, insere-se num quadro social, isto é, implica a presença mais ou menos activa de outros indivíduos.”
(Robert Vion)

TODO O COMPORTAMENTO HUMANO, QUALQUER QUE SEJA, ADVÉM DA INTERACÇÃO.
Na base da comunicação está a interacção directa entre dois indivíduos que não pode NUNCA reduzir-se à simples transmissão de uma mensagem.

As trocas interpessoais não são apenas materiais »»»»»» ocorrem também pela necessidade de reconhecimento, desafios de posicionamento, de poder, identidade ….

Publicado por james stewart às november 10, 2004 07:51 EM