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november 29, 2004

COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL 12

Sabemos hoje, e os estudos etnometodológicos de Garfinkel ou os da Escola de Palo Alto bem o demonstram, que a relação entre pessoas é pontuada por um conjunto de marcadores, entre os quais os papéis que desempenham e a posição que ocupam na estrutura social. Para além disso, as atitudes e as expectativas de cada indivíduo são geridas de acordo com as tipificações que cada um faz em relação ao outro, na decorrência do processo comunicacional.

Teoria dos Sistemas e Abordagem Centrada na Pessoa(Contributos para uma Recentragem da Comunicação na Relação Pedagógica)

Fernando Nogueira Dias *

Artigo publicado no livro Sistemas de Comunicação, de Conhecimento e de Cultura, Um Olhar Sociológico, Instituto Piaget, 2001, do mesmo autor.

A minha intervenção procurará demonstrar que a relação pedagógica é um espaço pluridimensional onde é possível, apesar das diferenças nele presentes, transformá-lo num ecossistema de saberes e de afectos que permita o desenvolvimento integral dos seres humanos.

Por isso, parto do princípio de que, embora não sendo possível, de uma só vez, intervir em toda a complexidade institucional, estará sempre ao alcance do professor o desenvolvimento de um clima que propicie a construção de um território de segurança ontológica e de desenvolvimento pleno dos actores envolvidos na relação pedagógica.

Trata-se de um agir sobre a relação pedagógica mediante processos comunicacionais facilitadores, para aí criar um sistema interactivo que, para além dos conteúdos programáticos e das imposições normativas do Sistema Educativo, não deixe de equacionar as necessidades e o sentir humanos.

Com esse fim, proponho para a relação pedagógica o recurso a processos de comunicação autêntica, que permitam criar espaços de conhecimento e de experiências, sem negar a partilha de valores e a expressão de afectos e de emoções, tão necessários à estruturação da identidade e ao reforço da auto-estima - numa palavra: ao equilíbrio do professor e do aluno.

Assim, o tema que me proponho tratar tem como título principal Teoria dos Sistemas e Abordagem Centrada na Pessoa e como subtítulo Contributos para uma Recentragem da Comunicação na Relação Pedagógica. A escolha desta temática parecerá, talvez, simplista, pela evidência com que se nos impõe num primeiro relance. Todavia, a simplicidade que os conceitos por vezes sugerem na sua aparente manifestação nem sempre corresponde à complexidade da realidade, por vezes escondida nos discursos individuais e sociais estereotipados.

Com efeito, por força da influência dos paradigmas cartesiano e positivista, a apropriação de alguns conceitos veio a torná-los prisioneiros de uma certa reificação, se quisermos, de uma certa coisificação, desligados da sua natural relatividade e contextualização. É o caso dos conceitos aluno, pessoa, relação pedagógica, etc.

Se por um lado, na acepção rogeriana inicial, o conceito de aluno foi em boa medida substituído pelo de pessoa, conceito este menos institucional e menos rotulante, a verdade é que o próprio conceito de pessoa corre ele mesmo o risco de coisificar-se, como se de uma entidade concreta e de contornos bem delimitados se tratasse. De facto, assim não é. As palavras fazem parte dos discursos sociais da realidade e dos paradigmas científicos; por isso, é sempre importante não nos deixarmos confundir pela aparência das mesmas.

Mas se enuncio estas precauções de carácter epistemológico, a verdade é que havemos de reconhecer que são as palavras e os conceitos que constituem os instrumentos fundamentais do arsenal que permite a assunção e a reformulação dos paradigmas, das teorias, dos modelos e das matrizes. É por isso que não deixa de ser importante que, no âmbito da Abordagem Centrada aplicada à Educação, se repensem as palavras, se reformulem os conceitos e se lhe definam os contornos, num trabalho de constante e permanente reconstrução discursiva.

Não estamos, certamente, a pronunciar-nos sobre a faculdade democrática de cada um expressar o seu livre pensamento acerca da realidade, das teorias ou das palavras. Estamos, naturalmente, a referir-nos, no sentido que Pierre Bourdieu lhe atribui, ao trabalho necessário, exigente e sistemático, de fazermos rupturas com o senso comum, o qual por vezes inquina a compreensão dos modelos e da sua respectiva aplicação.

Feita esta enunciação, diria que não é anódino estarmos em relação pedagógica com uma pessoa ou em relação pedagógica com um aluno. Se o primeiro conceito é de cariz humanista e personalista, o segundo é seguramente institucional e social. Sabemos hoje, e os estudos etnometodológicos de Garfinkel ou os da Escola de Palo Alto bem o demonstram, que a relação entre pessoas é pontuada por um conjunto de marcadores, entre os quais os papéis que desempenham e a posição que ocupam na estrutura social. Para além disso, as atitudes e as expectativas de cada indivíduo são geridas de acordo com as tipificações que cada um faz em relação ao outro, na decorrência do processo comunicacional.

Por esta razão, a expressão Abordagem Centrada na Pessoa, em contexto pedagógico, terá naturalmente implicações diferentes da expressão Abordagem Centrada no Aluno. Mas eu permito-me ir além desta distinção. Pretendemos uma Abordagem Centrada na Pessoa, em contexto pedagógico, tal como Carl Rogers propôs e alguns seguidores ainda defendem, ou uma Abordagem Centrada na relação entre duas pessoas - Professor-Aluno?

Do meu ponto de vista, se centrarmos a comunicação na relação professor-aluno, vendo estes como duas pessoas em co-presença, conseguiremos ultrapassar algumas dificuldades conceptuais emergentes do Modelo da Abordagem Centrada na Pessoa. Esta proposta em nada desvaloriza a Abordagem Centrada na Pessoa, pelo contrário, enriquece-a. Não podemos esquecer-nos de que a Abordagem Centrada na Pessoa pretende ser um paradigma no cenário do pensamento contemporâneo sobre a Educação - e daí a necessidade de lhe redefinirmos algumas dimensões conceptuais.

Vale a pena recordar que os paradigmas são sistemas de ideias que nos ajudam a ver a realidade e a desenvolver as actividades científicas. Mas, como refere Thomas Khun, os paradigmas são contextuais e relativos - pelo que é de evitar a sua reificação. A não ser assim, corre-se o risco de termos um modelo que se coisificou no tempo e no espaço, ou então, pelo contrário, se não houver uma vigilância epistemológica sobre o modelo, corre-se o risco de cada indivíduo pensar o que muito bem entende sobre ele - neste caso, sobre a Abordagem Centrada na Pessoa.

É neste sentido que me proponho contribuir para uma clarificação do conceito de recentragem da comunicação na relação pedagógica, socorrendo-me da Teoria dos Sistemas. Com esta proposta procuro resolver dois problemas: o do direccionamento da comunicação e o da compatibilidade entre a Abordagem Centrada na Pessoa e as condições sociais e institucionais que envolvem e coagem a relação pedagógica na Escola. O mesmo é dizer que:

Por um lado, pretende-se direccionar a comunicação para a relação professor-aluno e não para uma só pessoa (normalmente o aluno), dado que a relação pedagógica é sempre feita com, pelo menos, duas pessoas.

Por outro lado, pretende-se que a comunicação seja centrada neste sistema relacional, uma vez que a centragem numa só pessoa em contexto pedagógico tornar-se-ia incoerente e incompatível com os objectivos institucionais e sociais.

Operando com o conceito de sistema (conceito síntese da relação professor-aluno), é possível ultrapassar o problema dos papéis e dos estatutos sociais de ambos, sem no entanto perdermos de vista que eles não deixam de estar lá, seja em forma manifesta ou latente. Ao fazermos um esforço de síntese, como sugere Aaron Cicourel, no âmbito da Sociologia Cognitiva, conseguimos ultrapassar a barreira entre micro e macro fenómenos, visto que este sistema contém em si simultaneamente as propriedades de cada pessoa, como sistema individualizado, e as do sistema social mais vasto.

É neste sentido que a comunicação autêntica, proposta por Rogers, e a sua aplicação à relação pedagógica é por mim considerada como catalizador crucial de desenvolvimento, não de uma só pessoa, mas de um conjunto de pessoas em interactividade, produtoras de um sistema que as define e no qual proponho que nos centremos.

Todavia, para que se desenvolva uma relação pedagógica equilibrada assente em sistemas relacionais é necessário que, para além da co-presença física, ocorram não só processos de informação como também, e sobretudo, processos de comunicação.

Parecerá, talvez, que estas palavras não passam de um lugar comum, já que por todos é assumida a importância da comunicação na sala de aula. A verdade, porém, é que não visamos aqui o processo de comunicação na relação pedagógica enquanto mecanismo de troca de conteúdos, nem tão pouco da comunicação enquanto troca de mensagens, e muito menos da comunicação enquanto cruzamento de discursos sociais.

A troca de mensagens, ou o cruzamento de discursos sociais, situa-se num nível de superficialidade do processo de comunicação. É por isso que, se os processos interaccionais se basearem exclusivamente, ou maioritariamente, na troca pela troca de informação corre-se o risco de emergirem efeitos perversos, dado que a comunicação profunda é substituída por simulacros de comunicação, para usar a expressão de Jean Baudrillard: circulam mensagens, com maior ou menor grau de informação, mas não há comunicação de facto.

Proponho-me, por isso, considerar o processo de comunicação no seu sentido profundo e autêntico, como motor que desenvolve e sustenta a relação interpessoal, processo este que, na acepção rogeriana, implica um conjunto de atitudes, sem as quais a relação pedagógica não passa de uma gama de técnicas didácticas ao serviço de teorias ou de ideias mais ou menos vagas sobre educação.

No âmbito desta proposta, a comunicação será, então, centrada não exclusivamente no aluno, ou no professor, mas precisamente na relação entre essas mesmas pessoas, como se de um sistema se tratasse. Para isso necessitamos de considerar igualmente a relação pedagógica como um todo sistémico. Este é qualitativamente superior à soma das suas partes: é a emergência de algo que não é exclusivamente do professor, do aluno, da relação interpessoal ou da instituição de ensino, mas resultante da interinfluência de todas elas.

Dada, no entanto, a complexidade das diferentes variáveis que concorrem para a relação pedagógica, e uma vez que é humanamente impossível percepcioná-las e estar atentos a todas elas de uma só vez, o processo de comunicação deverá, por isso, centrar-se no sistema relacional. Mais precisamente, a comunicação deverá centrar-se na relação de um conjunto de pessoas em acção, constituindo esta um meio que elas próprias ajudam a desenvolver, mas que, simultaneamente, as condiciona.

Será, então, que este projecto põe de lado o aluno ou o professor enquanto pessoas? Não. O que se pretende é considerar globalidades, que são produto de outras globalidades e que sobre elas exercem a sua acção. Ou seja, a globalidade maior é a relação pedagógica, a qual compreende a globalidade relacional, que por sua vez compreende a globalidade aluno e a globalidade professor. Não há aqui predominância das estruturas maiores sobre as menores, ou, como defende Pierre Bourdieu, predominância das estruturas objectivas sobre as subjectivas nas relações face-a-face – o que há é uma hierarquia na ordem de prioridades em função dos objectivos que nos propomos atingir.

O mesmo é dizer que a relação pedagógica é um sistema maior, se quisermos, um ecossistema, do qual fazem parte outros sistemas. Como estamos a tratar de sistemas abertos e complexos, porque humanos, significa que uma alteração num deles afecta o outro e, por consequência, o sistema maior, que é a relação pedagógica. Igual raciocínio se pode aplicar inversamente. Neste sentido, há aqui uma característica que a Teoria Geral dos Sistemas designa por globalismo. Ou seja, o todo está nas partes e as partes estão no todo. E apesar disso, nenhuma delas se confunde com a outra.

Aceitar esta proposta é reconhecer que a relação pedagógica tem nesta perspectiva cinco contextos sistémicos abertos a considerar: 1) a relação pedagógica como ecossistema, ou meta-sistema; 2) a relação professor-aluno como sistema maior; 3) o professor como subsistema; 4) o aluno como subsistema; 5) e o conjunto de todos os outros aspectos contextuais, sociais e institucionais igualmente como subsistemas da relação pedagógica.

Considerar, por outro lado, que estamos a trabalhar com o conceito de sistema aberto é considerar a elevada complexidade de cada sistema ou subsistema, cujo cruzamento interaccional nos remete para níveis de complexidade sempre maiores. Admitir estes pressupostos implica chamar a atenção para o esforço que a comunicação centrada no sistema de relação professor-aluno pressupõe por parte do docente. É que, se o aluno é uma pessoa, com a qual o professor deve contar, também este não deixa de ser uma pessoa, e neste caso com um nível de responsabilidade maior no processo educacional, face ao seu papel e status na estrutura social.

Estas contingências por parte do professor não podem ser arredadas da relação pedagógica, nem tão pouco as do aluno, que igualmente tem um papel e um status na estrutura social, neste caso a Escola, para não falar já do peso de outras variáveis, culturais, económicas, sociais e individuais das duas pessoas em acção.

Perspectivar, então, o professor e o aluno como sistemas abertos é considerar que no processo de comunicação ambos são igualmente permeáveis, e por isso mesmo inter-influenciáveis. E é dessa inter-influência que nasce e se desenvolve a relação interpessoal, a qual contribuirá, decisivamente, para o desenvolvimento da relação pedagógica.

Assumir isto é admitir que a relação pedagógica emerge da complexidade interaccional de todos estes e outros aspectos que não interessa agora aqui analisar, e por isso é muito mais do que a soma de cada um dos factores isolados. A relação pedagógica é, assim, toda a complexidade que emana de outras complexidades orgânicas, psíquicas, sociais, culturais e simbólicas, sejam estas manifestas ou latentes.

Esta proposta, apesar de não ser revolucionária, é substancialmente diferente daquilo que têm sido as tendências da educação. As teorias académicas centram-se nos conteúdos; as Teorias Psicocognitivas, as Teorias Tecnológicas e as Sociocognitivas centram-se nas interacções; as Teorias Sociais centram-se na sociedade; as Teorias Espiritualistas e as Teorias Personalistas centram-se na pessoa, como vimos.

Em complemento destas tendências educativas, e em jeito de síntese, o quadro aqui proposto remete para um sistema integrador, que é a relação pedagógica, e para uma recentragem da comunicação na relação professor-aluno. Por outro lado, o conceito de relação professor-aluno só faz sentido se admitirmos que ambos são agentes de acção, que trazem, à partida, um background, o qual não deixa de estar presente na relação entre si; trata-se de pessoas que pensam, sentem e agem por si, mas num contexto institucional. Finalmente, só faz sentido falar de relação pedagógica se a considerarmos um sistema, cuja existência se deve ao resultado das interinfluências de todos estes subsistemas. Neste sentido, a relação pedagógica é algo que imana e simultaneamente transcende as pessoas em situação e sobre elas rectroage.

Como se poderá depreender, a relação pedagógica acaba por ser uma construção, cujos arquitectos, professor e alunos, empreendem, mas na qual nem todos têm o mesmo grau de responsabilidade, havendo um conjunto de regras a observar e sendo necessário seleccionar os materiais para construir o edifício, num tempo e num espaço pré-determinados.

Esta metáfora da relação pedagógica como construção conjunta assenta num paradigma que vai para além da ideia de que o aluno é um consumidor passivo de saberes. Ora, se consideramos o aluno como um sistema aberto, então ele é permeável ao meio que o rodeia: o mesmo é dizer que recebe, mas também contribui para o todo da relação. E sendo a relação pedagógica um meio envolvente da relação professor-aluno, então esse meio é produto e produtor.

De tudo isto, pode depreender-se a importância da relação pedagógica como meio ambiente fundamental para o desenvolvimento pessoal e social do aluno e do professor, o que nos conduz à afirmação de que a pessoa constrói-se na relação com os outros e com os outros se desenvolve e faz desenvolver. Neste contexto, e recorrendo ao pensamento de Edgar Morin, o aluno e o professor são sistemas auto-eco-organizados. Porquê? Porque professor e aluno encontram os fins do seu desenvolvimento na relação que têm com os outros, concretamente na relação pedagógica.

Mas só na relação pedagógica? Claro que não! Há outras fontes de comunicação e de informação: a família, os grupos de pares, as igrejas, os meios de comunicação social, os meios audio-visuais, a Internet, etc, a partir dos quais o sujeito pode auto-organizar-se.

Poder-se-á dizer: mas nunca como hoje se comunicou tanto! A isso, eu responderia: Nunca como hoje se informou tanto, mas nunca como hoje se comunicou tão pouco!

É que, para além da sobre-informação a que as pessoas estão actualmente sujeitas, o universo cultural-simbólico é ele mesmo um meio antinómico por excelência, onde a ambiguidade e a entropia encontram terreno fértil - a avaliar pelos paradoxos que constantemente chegam até nós através dos meios de comunicação de massa, pelas dissonâncias cognitivas a que as instituições nos sujeitam e pelas incongruências a que as relações interpessoais por vezes conduzem.

Urge, assim, introduzir mecanismos de redundância e de reformulação que levem à diminuição destes ruídos, e processos de comunicação em profundidade, que conduzam a uma correcta simbolização e integração da complexidade informacional, quer nas relações interpessoais, quer, e sobretudo, na relação pedagógica.

Para isso, sugiro ser necessário ter em consideração o seguinte conjunto de princípios: 1) considerar o aluno como pessoa, sem esquecer que o professor também o é; 2) fundar a relação pedagógica em processos de comunicação, e não somente em processos de informação para transmitir os conteúdos programáticos; 3) comunicar em profundidade e com autenticidade, e não somente para troca de mensagens; 4) centrar a comunicação no sistema de relação professor-aluno, e não exclusivamente numa das pessoas; 5) Tomar a relação pedagógica como um sistema global, que abrange o sistema relacional professor-aluno, o aluno e o professor enquanto subsistemas distintos; 6) Perspectivar a relação pedagógica como um espaço privilegiado de desenvolvimento humano integral e de segurança ontológica.

A acontecer assim, estaremos, indubitavelmente, na senda de um meio ambiente facilitador dos processos de aprendizagem e de desenvolvimento das pessoas envolvidas no processo de comunicação, bem como a concorrer para um clima de satisfação mútua.

O que entendemos, então, por comunicação autêntica e em profundidade na relação pedagógica? É a comunicação que se estabelece entre pessoas, e não entre indivíduos investidos de papéis sociais. Se quisermos, é a comunicação que se estabelece entre seres humanos que, sem deixarem de ser o que são pessoal e socialmente, procuram ser autónomos, ainda que inter-relacionados, mas partilhando simultaneamente a sua subjectividade. Ou, ainda, é a comunicação que, para além dos conteúdos programáticos e da complexidade pessoal, social e institucional envolvida, tem em conta os afectos e as emoções, tanto dos alunos como dos professores.

Referimo-nos concretamente à comunicação proposta por Carl Rogers, que visa respeitar em absoluto a subjectividade de cada ser humano. E é exactamente a experiência subjectiva de cada pessoa em interacção que as liga e que lhes permite comunicar, quer pelas semelhanças, quer pelas diferenças.

Como comunicar, pois, de maneira autêntica, sem barreiras que dificultem a compreensão e a partilha na relação pedagógica? Para que isto seja possível não basta desejá-lo; é igualmente necessário que o professor desenvolva e revele um conjunto de atitudes, que Rogers define como congruência, atenção positiva incondicional e empatia.

Ser congruente na relação com o aluno significa que o professor é ele mesmo, que se faz sentir na relação, sem "máscaras". Significa estar aberto e não defensivo, no que diz respeito aos seus sentimentos para com o aluno. Significa, finalmente, uma autenticidade que marca a relação pedagógica.

Ter uma atitude positiva incondicional corresponde à aceitação do aluno, nas suas manifestações, sem julgamentos prévios; implica aceitá-lo como ele é, e não como o professor gostaria que ele fosse. Significa fazer um esforço para pôr de lado as tipificações, que Peter Berger e Thomas Luckman nos apontam como limitadoras da visão da realidade.

Ser empático, à semelhança de Max Weber, significa não ter pena ou ser simpático, mas compreender o aluno à luz do seu quadro de referências interno, como se o professor fosse o aluno, sem no entanto perder a sua condição ou deixar de ser quem é.

Ser empático na relação pedagógica não é, no entanto, tarefa fácil. Tal, exige um movimento de vai-e-vem constante, na procura das sínteses de Aaron Cicourel, ou ainda, no movimento de estruturação, defendido por Anthony Giddens. É um movimento de aproximação e de distanciação, quer relativamente à pessoa-aluno, quer relativamente ao todo da relação pedagógica.

Um movimento de aproximação ao aluno, para que o professor possa sentir a partilha dos sentidos e dos sentimentos; de distanciação para poder compreender e agir sobre todo o envolvimento relacional em presença.

Finalmente, para que a relação pedagógica se caracterize pela comunicação autêntica é imprescindível que se dê um salto qualitativo do patamar discursivo para o patamar ser em e com. Se o professor conseguir ser ele próprio, apesar das contigências do seu desempenho, tornar-se-á facilitador do processo expressivo do aluno. Uma vez facilitada a relação com o aluno, este sentirá condições de tornar-se ele próprio, com o mínimo de constrangimentos.

Por sua vez, melhorando a relação pedagógica, aumentará não só a eficiência do desempenho do professor, como também o sucesso do aluno e, por consequência, a satisfação de ambos.

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* Doutor e Mestre em Sociologia, é Professor Associado de Sociologia no Instituto Piaget. É Coordenador da Unidade de Investigação em Sociologia e Coordenador da licenciatura em Ciências da Comunicação, na mesma Instituição. É também Psicoterapêuta pela Sociedade Portuguesa de Psicoterapia Centrada no Cliente e Abordagem Centrada na Pessoa.

Publicado por james stewart às 04:13 EM

COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL 11

A Importância da Interdisciplinareidade na História da Ciência: o Caso da Cibernética e da Escola de Palo Alto

A Importância da Interdisciplinareidade na História da Ciência: o Caso da Cibernética e da Escola de Palo Alto

Clara Costa Oliveira
Profesora de la Universidade do Minho-Braga (Portugal)

Interdisciplinareidade e Ciência Contemporânea
O momento de política internacional em que nos encontramos aviva-nos a consciência para a interdependência de toda a humanidade no que respeita a sua sobrevivência enquanto espécie. A história de cooperação, negociação e comunicação constantes na construção de comunidades na linhagem da espécie humana tem sido frequentemente apontada como um dos factores explicativos da supremacia do Homo Sapiens Sapiens face às outras espécies no nosso planeta (Maturana,1994).
A evolução da ciência, como produto da cultura greco-cristã, encontra-se plena de exemplos desta situação e neste texto iremos debruçarmo-nos sobre um desses momentos de cooperação entre áreas disciplinares aparentemente afastadas epistemologicamente: a Cibernética e a Escola de Palo Alto (no âmbito da Psicologia e da Psiquiatria).
Gostaríamos, no entanto, de anteriormente reflectir sobre a dimensão interdisciplinar na ciência contemporânea. As disciplinas que possuem o estatuto interdisciplinar por excelência são a Matemática e a Filosofia. A Matemática constitui a história das ciências desde o seu surgimento na modernidade, e a Filosofia tem vindo a (re)ocupar um papel cada vez mais assinalável na ciência contemporânea, em parte devido às consequências que os limites encontrados na Matemática provocaram noutras áreas científicas.


Temos assim que as ciências ditas da natureza avançam quotidianamente numa especialização crescente depois de se terem encontrado com, e superado o efeito desse encontro, questões de ordem filosófica (sobretudo de tipo epistemológico, hermenêutico e ético). As ciências ditas humanas encontram-se, no nosso entender, numa situação diferente, dado estarem a evoluir a ritmos muito variados, algumas em clara crise paradigmática e outras ainda obcecadas com questões metodológicas e observacionais que encontrávamos nos quadros teóricos das ciências da natureza (antes de Einstein, Heinsenberg e Niels-Bohr na Física, por exemplo) e da Matemática (antes de Riemann, Mandelbrot e Gödel) dos sec.s XIX.-XX.
Esta situação complexa em que se encontra a ciência contemporânea coloca-nos numa situação difícil dado que a especialização em algumas áreas parece impossibilitar, por um lado, a comunicação com outras áreas; a confusão conceptual e metodológica em algumas ciências parece, por outro lado, inviabilizar a possibilidade de um diálogo rigoroso.
Estas dificuldades não nos podem contudo imobilizar e o diálogo com uma área científica é sempre possível estudando a história dessa ciência e os fundamentos epistemológicos, implícitos e explícitos, das teorias e modelos dessa área. Este estudo prévio possibilita-nos contextualizar as dificuldades, do nosso ponto de vista, que podemos encontrar na ciência estudada e assim poder compreender a especificidade dos conceitos nela utilizados e avaliar cautelosamente a sua utilização noutras áreas científicas.


A Escola de Palo Alto constitui hoje um dos núcleos de investigação mais prestigiados no âmbito psicoterapêutico e psiquiátrico. O seu fundador era um apaixonado pelo saber científico e, numa perspectiva ecológica da mente (mind), socorreu-se de conceitos cibernéticos para compreender os processos da psiquê humana, no pressuposto da similitude formal que acreditava existir no funcionamento de todos os seres vivos (Bateson, 1972).
A primeira ressalva que aqui deve ser feita é que se abordarão as conceptualizações dos pensadores de Palo Alto apenas até à fase desta Escola em que o livro Pragmatics of Human Communication era tido como a bíblia (de biblos) desta corrente psicoterapêutica. Esta foi, de facto, a época em que os conceitos do âmbito cibernético foram mais explorados na sua aplicação à dimensão psicoterapêutica e psiquiátrica, até porque é a fase de surgimento e desenvolvimento da Cibernética, que foi sendo entretanto substituída quer pelas ditas ciências cognitivas, quer pela engenharia da computação.
Muitas críticas se têm vindo a fazer às concepções e procedimentos psicoterapêuticos da Escola de Palo Alto; algumas das críticas mais negativas surgem aliás por parte de profissionais formados por aquela instituição (Freedman, Combs, 1996).
Muitas destas críticas desfavoráveis reportam-se a literalizações que os responsáveis de Palo Alto foram fazendo das metáforas introduzidas pelos fundadores desta corrente, e em especial por Gregory Bateson. Pensamos pois que um retorno às significações originais de alguns dos conceitos que caracterizaram aquela Escola nos poderá ajudar a repor alguma verdade sobre o assunto. Mas a actualização da significação de alguns desses vocábulos pode também ser útil para as utilizarmos, ou desenvolvermos, como metáforas noutros domínios da Psicologia, e até noutras áreas do saber humano.

2. BATESON: DA CIBERNÉTICA A PALO ALTO
Gregory Bateson contactou pela primeira vez com as perspectivas cibernéticas em 1942, nas Conferências de Macy. Ele andava na altura obcecado com a Teoria de Tipos Lógicos de Bertrand Russell, e a sua presença em Macy foi um momento especialmente importante para a construção posterior das suas concepções de um holismo epistemológico rigoroso e extraordinariamente formal. Gregory tornou-se amigo pessoal de Norbert Wiener e de Heinz von Foerster e também ele influenciou bastante estes dois génios contemporâneos.
A Cibernética surgiu como disciplina que pretendia estudar os processos de auto-regulação, de controle (Wiener, s/d). Wiener, von Foerster e Rosenbleuth, entre outros, pretendiam estudar esta questão em qualquer tipo de sistema em que ele ocorresse. É neste contexto que fundaram o Biological Computer Laboratory, onde identificaram os seres vivos como sendo sistemas com capacidade homeostática, auto-reguladora. Construirem artefactos maquínicos que conseguissem actuar deste modo era um dos principais objectivos desta instituição. Eles não obtiveram grandes resultados e, por razões várias, a Cibernética evoluiu para o cognitivismo, passando a centrar-se nas questões da Inteligência Artificial.


Gregory Bateson era um homem vindo da biologia e da antropologia; a dimensão electrónica da Cibernética escapava-se-lhe. Mas a compreensão formal dos fenómenos auto-reguladores era algo por que se interessava a sua mente profundamente transdisciplinar.
O financiamento do Mental Institute Research (a partir do qual se constituiria aquilo a que hoje chamamos "Escola de Palo Alto") por parte do Ministério do Exército dos E.U.A. prende-se exactamente com a investigação desta dimensão. O projecto inicial desta Escola era basicamente o projecto do Biological Computer Laboratory, associado à questão antiga de Russell, ou seja: o que se pretendia era compreender os fenómenos de auto-regulação em qualquer forma de vida. Daí o trabalho de pesquisa sobre parâmetros formais na comunicação entre animais, por exemplo. A actuação de psicoterapeutas e psiquiatras no projecto de Palo Alto deveria ser entendida dentro de esta perspectiva mais ampla, e quando o grupo se dirigiu explicitamente para outras finalidades, Bateson saiu da equipa e foi estudar o comportamento de polvos.

3. CONCEITOS BASE DE PALO ALTO
3.1. A FORMA é talvez a dimensão mais importante para a compreensão do projecto inicial de Palo Alto, detectando-se neste caso também a influência clara da corrente da Gestält. A dimensão formal dos fenómenos possibilita-nos a detecção de regularidades abstractas entre todos os seres vivos; a essas regularidades (a simetria, por exemplo) Bateson apelidou-as "padrão" e ele acreditava existirem também "metapadrões", isto é, similitudes abstractas entre o mundo físico e o orgânico. Desta obsessão pela dimensão formal emergiu a sua perspectiva da mente como uma dinâmica processual auto-reguladora, logo, cibernética. A mente humana (e não somente a sua racionalidade) possuem esta dimensão auto-reguladora, mas qualquer máquina (um cobertor eléctrico, por exemplo) com sistema de termostato pode ser considerada uma sistema mental.
"In the last twenty-five years extraordinary advances have been made in our knowledge of what sort of thing the environment is, what sort of thing an organism is, and, specially, what sort of thing a mind is. These advances come out of cybernetics, systems theory, information theory, and related sciences. […] We can assert that any ongoing ensemble of events and objects which has the appropriate complexity of causal circuits and the appropriate energy relations will surely show mental characteristics. It will compare, that is, be responsive to difference (in addition to being affected by the ordinary physical 'cause' such as impact or force). It will 'process information' and will inevitably be self-corrective either toward homeostatic optima or toward the maximization of certain variables". (Bateson, G., 1972:315)


3.2. DIGITAL/ANALÓGICO são conceitos utilizados para significar a dimensão verbal/escrita (digital) e a não-verbal e paralinguística (analógica). São retirados do domínio cibernético, em que os computadores digitais permitiam um processamento informacional bastante rigoroso, mas que operavam com variáveis reduzidas. De igual modo, as linguagens verbais/escritas possuem uma sintaxe bastante precisa que assegura rigor comunicacional mas abrangem um leque reduzido de formas de comunicação humana, já que esse mesmo rigor sintáctico inibe a criatividade dentro deste tipo de linguagens.
A linguagem analógica cruza muitas mais variáveis ao nível comunicativo, mas peca por falta de precisão semântica, ou, pelo menos, essa imprecisão existe face ao que dela conseguimos saber. A ligação à Cibernética decorre de os computadores de tipo analógico que então se conheciam serem altamente imprecisos no tratamento informacional, ainda que conseguissem tratar maior número de variáveis, comparativamente com os de tipo digital. (Bateson, G., 1972; Oliveira, 1996; 1999a).

3.3. FEEDBACK/RUNAWAY são conceitos que ainda hoje a maior parte das pessoas liga à Cibernética, e à computação em geral. Eles foram contudo transferidos para o domínio psiquiátrico via Escola de Palo Alto. O primeiro refere-se à capacidade de retroacção que os sistemas computacionais possuem para tratamento dos resultados produzidos (verifica-se pois uma causalidade circular). Quando o feedback é positivo (não havendo auto-correcção), os erros informacionais repetem-se sucessivamente, ampliando-se de tal modo que podem levar à destruição do programa informático em questão: runaway.
Bateson pretendeu aplicar estes conceitos para estudar as questões de auto-regulação em grupos sociais alargados, mas os outros investigadores de Palo Alto confinaram-se a grupos pequenos, como sendo o caso das famílias. O recurso a estes conceitos no domínio psiquiátrico dá-se sobretudo no domínio explicativo dos resultados obtidos, ou não, pelos clientes face à intervenção do especialista que podendo desencadear um mecanismo retroactivo positivo (auto-corrector), pode também contudo estimular um processo de runaway (e que é também um processo de tentativa de auto-regulação).

3.4. A ECOLOGIA proposta por Gregory Bateson apoia-se numa visão sistémica da mente. Mas notemos desde já: em Bateson não só o todo é maior que a soma das partes, como também os sistemas emergem uns dos outros com graus de complexidade acrescida; cada um dos sistemas mentais é um metacontexto do nível anterior.
A influência da visão sistémica da Cibernética é aqui francamente mediada pela lógica russeliana. A ecologia batesoniana não se refere tanto à preservação de sistemas vivos existentes, mas à compreensão da articulação sistémica de padrões e metapadrões de auto-regulação. G. Bateson acreditava que uma compreensão destes fenómenos nos levaria a agir de maneira adequada de modo a garantir a auto-regulação da qual dependemos, quer do ponto de vista filogenético, quer do ponto de vista ontogenético.
Daí que a sua ecologia seja uma ecologia da mente e não propriamente do ambiente; devemos também lembrar-nos que para ele não existia a divisão sujeito/meio, mas antes unidades compostas sujeitos-nichos, que são os níveis mais básicos da unidade-complexidade sistémica do universo.
É surpreendente como ele parece estar cada vez mais certo nas suas intuições conforme a ciência avança, já que neste decénio surgiu a concepção explicativa da origem do universo auto-constructor. Esta sua perspectiva ecológica da mente foi aliás um dos suportes (juntamente com a termodinâmica de Prigogine) para as conceptualizações da teoria do caos e da teoria da complexidade pelo ruído, entre outras.

4. REFLEXÕES FINAIS
A primeira lição a tirar do acima exposto parece-nos ser como uma ciência pode influenciar e despoletar o enriquecimento de outras áreas do saber, sem que com isso fique mais pobre. Mas a ciência a que a outra vai buscar conceitos também dela não fica necessariamente dependente, pois a aplicação contextualizada desses conceitos leva a uma criatividade conceptual que se distancia e autonomiza face à denotação dos conceitos na primeira ciência em questão.
A potencialidade destes conceitos noutras áreas está ainda longe, quanto a nós, de ser rentabilizada. Assim, e a título sugestivo, apontamos algumas possíveis utilizações interdisciplinares destes conceitos.
A perspectiva formal de Bateson poderia ajudar-nos a constituir corpos de saberes conceptuais mais rigorosos em áreas do saber que se encontram em crise paradigmática, e nela poderia também apoiar-se um trabalho de continuidade formal entre teorias de várias áreas (como já vem acontecendo, por exemplo, com teorias vinculadas ao Movimento da Auto-Organização: Oliveira, 1999a).
O treino da observação de tipo analógico poderia fazer parte integrante, e obrigatória, da formação de qualquer profissional no âmbito das ciências humanas (e na formação de profissionais de saúde) pois nesta forma comunicativa de raiz biológica assentam as linguagens articuladas de tipo digital (Oliveira, 1999b).
A exploração de conceitos como feedback/runaway poderia ser extraordinariamente útil para a compreensão de fenómenos de complexidade pelo ruído em áreas como a aprendizagem biológica, a pedagogia, a psicologia do desenvolvimento e a psicologia da educação.

BIBLIOGRAFIA:

Bateson, G. (1979) Mind and Nature - A Necessary Unity. Nova Iorque. Bantam Books.
Bateson, G., Ruesch, J. (1988). Communication et Société. Paris. Seuil.
Bateson, Gregory (1972). Steps to an Ecology of Mind. Nova Iorque. Ballantine Books.
Bateson, Mary-Catherine (1994). With a Daughter's Eye - a Memoir of Margaret Mead and Gregory Bateson. Nova Iorque. Harper Collins Publishers.
Freedman, J., Combs, G. (1996). Narrative Therapy - The Social Construction of Preferred Realities Nova Iorque. W. W. Norton Company.
Oliveira, Clara Costa (1996). "Bateson e Bateson: da Aprendizagem Biológica à Aprendizagem ao Longo da Vida". In Actas do IIº Congresso Galaico-Português de Psicopedagogia. Braga. Univ. do Minho. Vol. I.
Oliveira, Clara Costa (1999a). A Educação como Processo Auto-organizativo. Fundamentos Teóricos para uma Educação Permanente e Comunitária. Lisboa. Instituto Piaget.
Oliveira, Clara Costa (1999b). "Linguagens da Comunicação Humana". In Sonhar. Comunicar. Repensar a Diferença. V. 2-3. [Setembro-Abril] 1998-1999.
Picard, D., Marc, E. (1984), L'Ecole de Palo Alto. Paris Retz.
Watzlawick, P., Beavin, J., Jackson, D. (1962). Pragmatics of Human Communication -A Study of Interactional Patterns, Pathologies, and Paradoxes. Nova Iorque. W.W. Norton Company, Inc..
Wiener, Norbert (s/d). Cybernétique et Société. Paris. Deux Rives.
Maturana, H. e Verden-Zoller, Gerda (1994). Amor y juego - Fundamentos Olvidados de lo Humano - desde el Patriarcado a la Democracia. Santiago do Chile. Editorial Instituto de la Terapia Cognitiva.



Publicado por james stewart às 02:44 EM

november 25, 2004

RELAÇÕES PÚBLICAS 18

RELAÇÕES PÚBLICAS

I.PÙBLICOS
II.OBJECTIVOS
III.MEIOS


RELAÇÕES PÚBLICAS

I - PÚBLICOS

Internos e Externos
Caracterizando-se os primeiros, como o próprio nome indica, por se encontrarem dentro do âmbito da organização, e os segundos por estarem fora da mesma.

Primários, Secundários e Marginais

Diferenciando-se cada um deles pelo maior ou menor grau de importância que possuem para a organização (maior importância conferida aos públicos primários e menor aos marginais).

Apoiantes, Opositores e Indiferentes

Em relação aos apoiantes, deve exercer-se um esforço constante que vise reforçar as suas crenças; face aos opositores, a comunicação a utilizar deve ser suficientemente persuasiva para mudar a sua opinião sobre a organização; finalmente, é importante conquistar os indiferentes dado, por norma, representarem a maioria da opinião pública, excepto em casos em que existe uma afectividade cultural

As relações públicas internas, também chamadas relações humanas na empresa, funcionam como elo de ligação entre a administração e o seu pessoal, visando uma boa comunicação interna e a criação e manutenção de um bom ambiente de trabalho.


As relações públicas externas visam, por outro lado, o bom entendimento entre a empresa e os seus diferentes públicos externos (fornecedores, órgão do poder, consumidores, etc.) e, por outro, a projecção de uma boa imagem desta para o exterior.

II - OBJECTIVOS

Philipp Lesly

• Obter prestígio e todas as vantagens que daí advêm;
• Promover vendas;
• Estimular a boa vontade dos empregados;
• Prevenir e solucionar as questões laborais;
• Criar e sustentar a boa vontade na comunidade onde a empresa opera;
• Obter a boa vontade dos accionistas;
• Superar mal-entendidos e combater falsos preconceitos que possam prejudicar a empresa;
• Obter a boa vontade dos fornecedores;
• Obter a boa vontade do governo;
• Obter a boa vontade dos demais industriais do ramo;
• Aumentar as vendas através da boa vontade dos revendedores;
• Educar o público quanto ao perfeito uso do produto vendido;
• Educar o público quanto a qualquer ponto de vista de interesse da empresa;
• Obter a boa vontade dos consumidores;
• Investigar as atitudes dos diversos grupos sociais, internos e externos, para com a empresa;
• Formular e orientar a política da empresa, atendendo ao Bem Comum.

III - MEIOS

São muito diversificados os meios e instrumentos utilizados pelas Relações Públicas. Os autores não são, porém unânimes na classificação dos instrumentos de RP.

Por definição, instrumento é qualquer agente que se emprega para executar um trabalho, é tudo quanto serve de meio para se chegar a determinado fim.

Quais os agentes, os meios que utilizam as Relações Públicas para chegar aos seus objectivos? Constituindo parte integrante do grande mundo das Comunicações, as Relações Públicas têm por instrumentos, todos os meios e agentes que servem às Comunicações, desde o mais informal e simples dos contactos humanos directos até às técnicas apuradas dos modernos veículos de Comunicação em Massa. Dada a multiplicidade desses veículos, a única dificuldade para o estudo dos instrumentos das Relações Públicas está na exigência de se estabelecer uma classificação racional desses instrumentos.

São inúmeros os meios de que uma empresa dispõe para veicular a sua imagem e influenciar os seus públicos. Estes podem agrupar-se em 7 tipos principais:

1 Contactos pessoais: Encontros;
Participação em congressos e seminários;
Reuniões;
Clubes ou associações de índole profissional ou social;
Acolhimento e integração de trabalhadores.

2 - Eventos:Realização de encontros, colóquios e seminários;
Concursos;
Conferências de imprensa;
Galas e Festas;
Organização de Feiras e Certames;
Road Shows (exposições móveis).

3 - Publicações:
Relatório anual;
Brochuras e folhetos;
Artigos e notícias em revistas;
Jornal (interno ou externo);
Revistas (interna ou externa)
Audiovisuais;
Cartazes;
Quadros informativos;
Manual de acolhimento.

4 - Patrocínios
Apoio financeiro a manifestações de carácter desportivo, cultural ou outras com contrapartidas negociadas em termos de visibilidade do patrocinador.


5 - Mecenato:Apoio financeiro a manifestações de carácter cultural, que podem inclusivamente ser abrangidas por incentivos fiscais.


6 - Actividades de Serviço Público:Acções de protecção do ambiente, ecologia e outros;
Protecção de espécies animais e vegetais;
Causas sociais;
Programas educativos dirigidos a públicos juvenis.


7 - Diversos:Referências à empresa em filmes, livros técnicos e científicos
Visitas às instalações («jornadas portas abertas»);
Suportes de comunicação;
Serviço de atendimento pós-venda.

DENTRO DA EMPRESA/ORGANIZAÇÃO

Instrumentos orais

Palestras: é uma excelente forma de contacto entre a administração e os empregados, o que humaniza as relações evitando conflitos trabalhistas. Por outro lado, é uma boa forma de manter os públicos internos informados sobre a vida da empresa, desenvolvendo o sentimento de pertença.

Seminários e Acções de Formação: destinam-se a melhorar os conhecimentos, desenvolver e actualizar os trabalhadores. Desta forma, estes sentem que a Administração se preocupa com eles e com o seu trabalho. Por outro lado, proporcionam a confraternização do pessoal criando um bom ambiente de trabalho.

Reuniões: constituem outra forma de relação directa entre os trabalhadores com a vantagem de serem mais restritas tendo um carácter mais familiar. Fomenta a participação activa do público interno, bem conduzidas podem também servir para auscultar a atitude do trabalhador perante a empresa e colmatar falhas que podem passar despercebidas.


Conversas informais: Uma conversa informal pode funcionar melhor que 1000 palestras ou reuniões, na medida em que a formalidade das últimas pode intimidar e criar uma má impressão nas pessoas.

Instrumentos escritos

Cartas: de carácter muito pessoal, as cartas podem servir diversos objectivos. Enviar cartas de felicitações e agradecimento podem proporcionar óptimos momentos de RP.

Manuais: os manuais de acolhimento constituem um instrumento directo e pessoal de comunicação da empresa com os seus públicos internos favorecendo a sua inserção na empresa.

Quadros de avisos: servem para afixar um sem número de coisas: recados, avisos, notificações, mensagens...

House-organs: são publicações internas da empresa que têm a finalidade de integrar melhor a comunidade de trabalho noticiando todas as actividades da empresa. Esta forma de comunicação favorece a comunicação entre os empregados e entre os empregados e a administração.

Caixas de sugestões: são uma óptima forma de estimular a participação activa dos trabalhadores e, por outro lado, pode servir também para auscultar as opiniões dos públicos internos acerca da empresa.

Newsletters: são publicações informativas da empresa destinada a vários públicos do seu interesse.

Promoção de acontecimentos

Dias de visita para as famílias dos empregados: como já ficou dito a manutenção de um bom ambiente entre os públicos internos pode ser muito vantajoso pois cada um dos funcionários pode tornar-se num óptimo RP fora da empresa. Mas para além dos empregados, as suas famílias podem também ajudar na tarefa, por isso é importante que a administração se preocupe com eles.


Clubes desportivos: o desporto é uma das formas mais saudáveis de convívio, para além disso, cria uma certa camaradagem entre as pessoas.

Concursos e prémio

Actividades de âmbito social: a criação de uma creche e de uma colónia de férias para os filhos dos empregados, a instituição de bolsas de estudo, a formação de uma cooperativa de consumo entre muitas outras, pode ser uma forma de criar nos empregados uma enorme estima pela entidade patronal, humanizando-a.

Datas comemorativas: as ceias de Natal, almoços comemorativos do aniversário da empresa, são uma forma de criar boas oportunidades de relacionamento entre os empregados e entre estes e a administração.

FORA DA EMPRESA/ORGANIZAÇÃO


Instrumentos escritos e orais
Todos os instrumentos citados para o público interno quer orais ou escritos (excepto os house-organs, exclusivos do público internos) podem ser utilizados também para o público externo)

Contactos Pessoais: quando existe um bom ambiente de trabalho, os seus empregados, trazem para a rua uma boa imagem da entidade patronal, favorecendo a sua reputação.

Orgãos de Comunicação Social: os meios de Comunicação Social podem ser considerados como líderes de opinião, por isso é importante manter com eles uma boa relação e facultar-lhe o maior número de informações possível.

Visitas públicas: são uma excelente forma de dar a conhecer a empresa ao público externo, nomeadamente à imprensa, possíveis investidores, órgãos de poder...

Participação da empresa em acontecimentos externos com patrocínios e mecenato:o patrocínio pode ser uma das mais agradáveis e compensadoras actividades de Relações Públicas. O principal benefício de um acto de patrocínio ou mecenato é, sem dúvida, a humanização da empresa perante os seus públicos e a publicidade que daí advém.

Exposições: é outra excelente forma de dar a conhecer uma determinada
empresa ou entidade e os seus produtos ou acções.

Conferências de imprensa: estas servem para informar os órgãos de comunicação das actividades da empresa ou entidade: o lançamento de um novo produto, uma inovação que vai ser implantada no sistema de trabalho, uma nova actividade da empresa...

Colóquios e conferências: hoje em dia as empresas, entidades públicas e organizações utilizam cada vez mais as conferências e colóquios para comunicar aos públicos numerosas informações: lançamento de novos produtos, sessões de esclarecimento sobre políticas de actuação, proposição de novas actividades, e muitas outras.

PATROCÍNIO E MECENATO
FORMAS ESPECIAIS DE FAZER RP

Funcionando isoladamente ou integradas em campanhas de comunicação, as actividades ditas institucionais são cada vez mais utilizadas pelas grandes empresas para melhoria da sua imagem.

A multiplicidade de áreas em que estas actividades podem ser desenvolvidas faz com que a sua utilização seja crescente nos países industrializados.

É hoje muito raro encontrar uma grande empresa que não tenha estado envolvida numa acção de mecenato cultural, de protecção do ambiente ou de simples patrocínio, quer pontual quer de forma permanente.
No âmbito da comunicação empresarial, as actividades institucionais podem processar-se de várias formas:

a)O Patrocínio: ele pode traduzir uma orientação racional que se adapte à dimensão da empresa, a sua personalidade e a sua estratégia de comunicação. Assim, poder-se-á, em função dessa orientação, escolher o patrocínio desportivo, artístico, cultural ou simplesmente recreativo. Presentemente, é no campo desportivo e artístico que ele se encontra mais desenvolvido.

Também designado por Sponsoring, ele é tido como um acto de colaboração, onde para ser rentável, o envolvimento da instituição terá de ser credível, eficaz e determinante.

A credibilidade terá a ver sobretudo com a relação entre a empresa e os seus valores e a área escolhida. Por outra palavras, terá de ser um patrocínio inteligente onde a escolha da operação não seja influenciada pelos gostos pessoais de quem decide, seja ele o director geral ou o responsável pela comunicação, como muitas vezes sucede, em detrimento dos interesses da empresa. O êxito de um patrocínio depende, em primeiro lugar, da adequação entre a natureza da operação e a personalidade da empresa.

Por exemplo, não seria recomendável que um fabricante de produtos de beleza para senhoras patrocinasse o pugilismo. Um produto suave e feminino não pode aliar-se a um desporto violento, mesmo que o responsável máximo da empresa seja um grande adepto dessa modalidade.
A eficácia será determinada pelas possibilidades da operação em atingir todas as camadas de público a que se destina.

Sabendo-se que a opinião publica está saturada de informações e espectáculos, a actividade patrocinada deverá conter qualquer coisa de inédito ou original, a fim de a interessar e surpreender. Caso contrário, corre-se o risco de cair na banalidade, sendo difícil conseguir a adesão dos públicos-alvo.

Para a maximização dos resultados em termos de notoriedade será necessário que a empresa se posicione, sempre que puder, como actor ou criador do acontecimento e não se limite a ser um sleeping partner, que apenas ostenta o seu nome ou a sua marca, entre dezenas de outros patrocinadores, acabando por passar semi-despercebida no meio deles.

São bons exemplos o Camel Trophy ou o Rali de Portuga/Vinho do Porto, onde a simples designação da prova realça logo de imediato o nome do patrocinador (criador) principal.
É preciso ter em conta, também, a sua própria divulgação como patrocinadora. De que servirá patrocinar um acontecimento de importância se apenas o público directamente envolvido nele tiver consciência disso?


b) O Mecenato Cultural: é uma forma de patrocínio dirigido à área da cultura, com a vantagem de usufruir de certos incentivos de natureza tributária por parte do Estado, por outro lado, não há exigências em termos de publicidade.

A associação de uma instituição a um projecto artístico ou de ordem patrimonial permite-Ihe assumir um papel activo no desenvolvimento da vida cultural do país. A sua imagem, personalizada através dessa colaboração, aliada a uma obra de arte, a um monumento recuperado ou a um espectáculo apresentado aparecerá aos olhos do publico com uma nova e diferente expressão.

O mecenato cultural pode ser praticado junto de entidades ou projectos do Estado ou das Autarquias, designados como Beneficiários A, ou junto de entidades com existência legal ou projectos "de manifesto interesse cultural", designados como Beneficiários B, tais como:

- museus, bibliotecas, escolas, institutos e associações de ensino ou de educação, de cultura científica, literária ou artística;
- entidades desenvolvendo acções no âmbito de actividades de produção cinematográfica, audiovisual, literária, teatral, bailado, música, organização de festivais e outras manifestações artísticas.

As actividades mais pretendidas têm sido, em Portugal, as artes plásticas, a música e o património.
De referir que, ao contrário do patrocínio desportivo, a participação de uma empresa no campo cultural deve ser feita com uma certa discrição.

Num espectáculo de Opera ou de Ballet raramente irá para além da figuração do seu nome nos cartazes, programas e catálogos. Mas, por outro lado, os riscos são menores, pois numa prova desportiva, seja ela um jogo de futebol, uma prova de atletismo ou um rali, o objectivo do patrocinador é ocupar um lugar de destaque através da vitória da sua equipa, do seu atleta ou do seu carro, o que nunca constitui uma garantia inicial.

c) O Mecenato Humanitário: é aplicado para a defesa das grandes causas, como, por exemplo, o apoio aos refugiados timorenses do Vale do Jamor, às criancas romenas ou a fome em África.

É um patrocínio social, através do qual a empresa se transtornam numa «boa cidadã» indo em socorro de minorias desfavorecidas e recolhendo benefícios de vária ordem.

Em termos de imagem, beneficia da simpatia do público e de uma fácil mobilização do seu pessoal. Do ponto de vista da notoriedade, estes temas têm-se revelado de grande interesse mediático dando azo a que a instituição seja notícia.

A nível comercial, estas «Obras de caridade» têm possibilitado um considerável acréscimo das vendas, dado que a adesão a uma boa causa sempre se revelou corno uma boa técnica de incentivo, por vezes, inconsciente à compra.

De notar que, para ser efectivo, o mecenato humanitário deve evitar as causas politizadas, suspeitas ou repetidas. O processo deixa de funcionar quando o consumidor se questiona quanto ao destino das suas dádivas ou quando já contribuiu para a mesma causa noutra ocasião.

d) A Protecção do Ambiente: é uma área muito procurada pelas empresas patrocinadoras, desde o início da década de oitenta, devido à consciencialização da opinião pública em tudo o que diga respeito à ecologia, às ameaças ambientais e ao desenvolvimento dos movimentos ecologistas.

Todas as multinacionais têm feito um grande esforço nesta área, nomeadamente as mais poluentes, tentando passar do estatuto de poluidores mal amados ao de cavaleiros defensores do ambiente.

Para que uma campanha institucional funcione nesta área delicada é preciso que exista uma coerência entre a realidade e a política institucional da empresa. De nada servirá investir em comunicação se, por outro lado, nada for feito para se evitar a poluição atmosférica, as marés negras, etc.


Mas não se pense que são apenas as empresas mais poluidoras e com maior necessidade de se reabilitar aos olhos da opinião pública que querem demonstrar a sua preocupação em relação a esta matéria.
Muitas empresas de ramos de actividade dos mais diversificados têm intensificado as suas actividades institucionais na área da defesa ambiental.

e) O Mecenato Científico e Educativo: é uma área ainda pouco procurada no nosso país, mas que se está a revelar muito prometedora para as empresas, sobretudo industriais.

Com este tipo de mecenato, a empresa posiciona-se como incentivadora da investigação e do desenvolvimento. Através do apadrinhamento de laboratórios de pesquisa, da promoção de cursos de formação ou de reciclagem, de estágios, da organização de grupos, núcleos ou clubes científicos, a empresa projecta uma imagem de supremacia e domínio absoluto em determinada área de actividade.

Tudo o que esteja ligado à inovação tecnológica e à investigação é, sem dúvida, uma das associações mais valorizantes em termos de imagem institucional, geralmente com grandes repercussões na imagem dos próprios produtos.

Aos olhos do público, se uma empresa se consegue posicionar como líder na investigação e no desenvolvimento, é natural que os seus produtos sejam melhores que os da concorrência.

Publicado por james stewart às 07:05 EM

RELAÇÕES PÚBLICAS 17

DO AZUL-BRANCO AO VERDE-RUBRO.
A SIMBÓLICA DA BANDEIRA NACIONAL


DO AZUL-BRANCO AO VERDE-RUBRO.
A SIMBÓLICA DA BANDEIRA NACIONAL


O trabalho que se apresenta integra-se no âmbito de um projecto mais vasto sobre a simbólica republicana. Projecto ainda em curso, as ideias que ora se expressam não são conclusivas, muito menos definitivas e procuram tão-só levantar o problema e suscitar o debate.
Parte-se de um corpus documental não só escrito, mas sobretudo e fundamentalmente iconográfico - o que impõe desde logo tratamento adequado, dada a especificidade própria desta linguagem - e de um procedimento metodológico de análise temática clássica, uma análise temática fouillé, como diz M. Vovelle - já que a análise estrutural se tem revelado pouco operatória na abordagem do fenómeno diacrónico. O propósito desta comunicação é essencialmente a história de um símbolo -- a dinâmica da sua imagem, o significado da sua simbólica -- no percurso que vai das suas origens a signo da identidade nacional - a bandeira portuguesa.

As origens do verde-rubro.
Do azul-branco ao verde-rubro.
O verde-rubro
O azul-branco
Os projectos de conciliação
O verde-rubro - Da legitimidade republicana à legitimidade nacional.

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As origens do verde-rubro
A história de um símbolo abre-se sempre sobre um mesmo enigma - o mistério das suas origens.

O simbolismo político não foge a esta constante do simbolismo em geral e a história da bandeira nacional não deixa de o confirmar.

A bandeira portuguesa foi durante a monarquia constitucional a bandeira azul-branca bipartida e encimada pelas armas reais, assentes metade sobre cada uma das cores.

Azul e branco haviam já sido decretadas "cores nacionais" após a revolução liberal de 1820, por decreto das Cortes Gerais da Nação em 22 de Agosto de 1821.

Entre o vintismo e a contra-revolução, o simbolismo acompanha as vicissitudes que a conjuntura política vai ditando e o registo simbólico das cores vai-se progressivamente inscrevendo em cada um dos campos em conflito - o branco no absolutismo e o azul-branco no constitucionalismo.

Dentro deste contexto, a regência de D. Pedro IV, por decreto de 18 de Outubro de 1830 da Junta Governativa da ilha Terceira, substitui a bandeira, até então integralmente branca, pela bandeira azul-branca. Triunfante em 1834, o liberalismo faz dela a bandeira nacional, que se manterá sem alteração durante todo o constitucionalismo monárquico até ao 5 de Outubro de 1910.

Como se chega então à bandeira verde-rubra da República, que ainda hoje é a nossa? Qual a sua origem? Qual o seu significado?

Uma genealogia do cromatismo verde-rubro na história das bandeiras portuguesas revela-nos um fenómeno tanto mais surpreendente quanto pouco conhecido, ou, pelo menos, pouco citado.

O verde e encarnado, embora nunca tenham constituído as bandeiras nacionais até à bandeira republicana, têm figurado em insígnias várias ligadas a alguns momentos altos da história portuguesa, de que se tornaram símbolo - a Guerra da Independência, os Descobrimentos Marítimos, a Guerra da Restauração.

Verde e vermelha (com a imagem de Nossa Senhora da Conceição ao centro) foi a bandeira da Ala dos Namorados na batalha de Aljubarrota; verde e vermelha (fundo verde sobre o qual assentava a cruz de Cristo vermelha) foi a bandeira dos Descobrimentos sob o reinado de D. Manuel I ; e igualmente verde e vermelha (idêntica a esta última) foi a bandeira empunhada em várias revoltas contra o domínio filipino, que seria, ela mesma, a bandeira da Revolução do 1° de Dezembro 1640.

Assim, e sem que nunca tenha constituído a bandeira nacional, o cromatismo verde-rubro não deixa de estar indissociavelmente ligado a alguns momentos significativos da história portuguesa, em particular à defesa da independência nacional.

Todavia, não pode confirmar-se que o verde e encarnado da bandeira republicana provenha destes antecedentes. O mais directo, se o quisermos, teremos de procurá-lo bem mais tarde, já no final do século XIX, e é, sem dúvida, a bandeira da revolta republicana do Porto de 31 de Janeiro de 1891.

A bandeira içada na Câmara Municipal do Porto na manhã de 31 de Janeiro de 1891, símbolo da revolta republicana, era de facto verde e vermelha. Totalmente vermelha com um círculo verde ao centro, a que se juntavam as legendas referentes ao centro republicano a que pertencia ¾ Centro Democrático Federal 15 de Novembro.

Esta bandeira, conhecida e designada pelos revoltosos como "a bandeira vermelha" - "Veja, está içada uma bandeira vermelha na Câmara", dizia J. Chagas - é, na sua essência simbólica, a bandeira da tradição revolucionária e popular. Primeiramente, símbolo do cartismo em Inglaterra, seria depois hasteada em Paris, nas jornadas revolucionárias de 1848 e durante a Comuna de 1870.

Ao fundo vermelho da tradição democrática e sindical vêm juntar-se insígnias e legendas várias, características dos clubes políticos a que pertenciam. Assim nasceram a grande maioria das bandeiras dos centros republicanos, tal como a do Centro Democrático Federal 15 de Novembro.

O certo, porém, é que a primeira bandeira da República desfraldada em Portugal foi "verde e encarnada". Malograda a revolução, a bandeira "verde-rubra" torna-se para os republicanos a marca fundamental, o símbolo da República, por ora vencida, mas nunca assumida como tal e que em vinte anos de luta havia de vencer, numa sequência de acções que o próprio Partido Republicano planeou.

De facto, ao longo desse período que decorre entre 1891 e 1910, conhecido na história do republicanismo português como o "Período da Propaganda", o Partido Republicano desenvolve uma luta acesa de propaganda política segundo duas estratégias. Por um lado, uma luta antimonárquica afirmando os grandes slogans ideológicos e políticos do ideal republicano: a "Decadência" a que a Monarquia de Bragança conduzira o País; contrapunham-lhe um nacionalismo patriótico e a restauração das glórias do Império; a coligação do Trono e do Altar, em substituição da qual propunham uma separação da Igreja e do Estado, ao que acrescentavam um pendor laico anticlerical; a "Corrupção" generalizada que grassava pelo País, contra a qual opunham a exigência de "probidade" política; e finalmente, o carácter tirânico do regime monárquico, de que a ditadura de João Franco era a simples concretização; contra a tirania opunham, obviamente, a Democracia. Por outro lado, em simultâneo, obedecendo a uma outra lógica e segundo uma outra estratégia, começa a desenvolver-se outra forma de propaganda - a construção da imagética e da simbólica republicanas.

Ao longo destes vinte anos, a simbólica verde-rubra da bandeira do 31 de Janeiro inscreve-se definitivamente no ideal republicano. Desde as artes mais nobres aos mais simples objectos de uso quotidiano, em toda a iconografia, que simboliza a República, é o verde e vermelho que a representa. De tal forma, que desde o virar do século a própria imagem da "República-Mulher", passa a trajar de verde-rubro.

E quando chega a jornada revolucionária de 3 a 5 de Outubro de 1910 que havia de implantar a República, a bandeira levantada pelos regimentos e navios revoltados era verde-rubra (bipartida, vermelha junto à tralha e a parte maior verde; esfera armilar de ouro assente em fundo azul; estrela de prata com resplendor em ouro. Foi esta a bandeira de Machado Santos na Rotunda e que, vitoriosa a revolução na manhã de 5 de Outubro, foi hasteada em todos os quartéis e finalmente substituiu a bandeira azul-branca no alto do Castelo de São Jorge.

Do azul-branco ao verde-rubro
Passados os primeiros dias de euforia revolucionária, o Governo Provisório, conhecendo a importância da simbólica política e sobretudo o seu impacte sobre a opinião pública, apressa-se a constituí-la para o novo regime, isto é, a determinar os símbolos em torno dos quais se pudesse formular a nova unidade nacional. Assim, e a par das grandes questões de ordem política que se impunham, a questão dos símbolos nacionais foi uma das prioridades do Governo.

Corria na opinião pública que o Conselho de Ministros se inclinava para a bandeira azul-branca. A Carbonária, porém, usando o peso da sua influência, granjeada na revolução, ter-se-ia oposto veementemente. Perante o impasse, decide o Governo formar uma comissão especialmente destinada ao estudo da bandeira e do hino nacionais.

Por decreto de 15 de Outubro de 1910 fica a comissão constituída por cinco elementos, todos eles figuras de relevo da vida nacional - o célebre pintor Columbano Bordalo Pinheiro, o romancista Abel Botelho, o jornalista e conhecido republicano João Chagas e ainda dois destacados combatentes da revolução de 5 de Outubro, o primeiro-tenente Ladislau Pereira e o capitão Afonso Palla.'

Não foi necessário esperar muito para que a comissão apresentasse ao Governo o resultado dos seus trabalhos. De facto, logo a 29 do mesmo mês apresenta um primeiro projecto, idêntico à bandeira da revolução de 5 de Outubro, com uma diferença -- a proporcionalidade e a localização das cores verde e vermelho inverte-se em relação à tralha.

Apreciado em Conselho de Ministros do dia 30 de Outubro, são levantados vários reparos e sugeridas algumas modificações. É apresentado segundo projecto, este já sem estrela e com ligeiras modificações na esfera armilar e enviado para apreciação do Conselho de Ministros a 6 de Novembro. Após longa e disputada polémica, e para gáudio dos defensores do verde-rubro e indignação dos partidários do azul-branco, a 29 de Novembro o Governo aprova o projecto da comissão, ao que se soube pela maioria de um voto.

Estava determinada a nova bandeira portuguesa. De imediato, e antes mesmo que pudesse ser aprovada pela Assembleia Nacional Constituinte, o Governo Provisório estabelece por decreto o dia 1 de Dezembro como sendo o da Festa da Bandeira.

Na manhã de 1 de Dezembro, frente à Câmara Municipal de Lisboa, lugar onde fora proclamada a República em 5 de Outubro, Escola Naval e Escola do Exército, em parada militar, e ao som de "A Portuguesa", prestam homenagem à bandeira "verde-rubra", agora feita bandeira nacional. O desfile das tropas, engrossado por uma multidão de populares em clima patriótico, sobe as ruas da Baixa lisboeta até aos Restauradores, cujo monumento saúda, e segue Avenida da Liberdade acima, até à Rotunda. À tarde seguiu-se um espectáculo no Teatro Nacional.

A Festa da Bandeira foi assim a primeira grande festa cívica, a primeira liturgia de consagração da República.

Porém, a escolha da bandeira verde-rubra e a sua consagração imediata, quando a decisão não era de forma alguma pacífica e, sobretudo, antes de ter sido sancionada pela Assembleia Nacional Constituinte, levanta uma violenta polémica que moveu algumas das figuras mais gradas da vida pública portuguesa e apaixonou a opinião pública nacional.

Em Lisboa, Porto e por todas as cidades de província multiplicam-se os projectos para a nova bandeira. Na imprensa periódica, em croquis afixados em clubes políticos, livrarias, tabacarias e outros estabelecimentos comerciais, em conferências e sessões públicas, desde as salas de teatro à Sociedade de Geografia, os diferentes autores divulgam e fazem a defesa empenhada dos seus projectos. Acreditava-se ainda que a Assembleia Constituinte podia votar um parecer contrário e os partidários do "azul-branco" reclamavam com insistência um plebiscito.

A polémica polariza-se em torno de duas grandes questões: uma, de primeira ordem, a das "cores" azul-branco/verde-rubro; outra, menos acesa, a das "armas" - em torno da esfera armilar.

Em defesa do verde e encarnado vêm a terreiro, para além da comissão, figuras tão prestigiosas como Afonso Costa, António José de Almeida e o próprio Presidente do Governo Provisório, Teófilo Braga. A defesa do "azul-branco" é encabeçada pela não menos prestigiosa figura do poeta Guerra Junqueiro, entre outras, como A. Braancamp Freire, António Arroio, Lopes de Mendonça, Sampaio Bruno.

Analisemos a polémica, procurando as narrativas de legitimação de cada uma das simbólicas em confronto.

Da totalidade dos projectos já identificados poderemos encontrar, a partir de um critério cromático, três tipologias distintas - uma, verde-rubra; outra, azul-branca; e uma terceira, de conciliação.

Metodologicamente, procuraremos expor a legitimidade invocada em cada uma das tipologias e exemplificaremos com alguns projectos de entre cada uma delas.

O verde-rubro Não há discordância quando se trata de reconhecer a natureza e a função da Bandeira Nacional. Ela deverá ser a síntese "do significado social do povo que representa" e conter "a sua alma, o seu ideal, o seu carácter, a sua tradição e a sua história". Numa palavra, deverá ser o espírito nacional, objectivado pela linha e pela cor. E justamente a discordância começa na linha e na cor.

Para a comissão, a cor é o elemento primacial que mais cuidadosamente se alonga a justificar. Quanto ao branco, concorda com Guerra Junqueiro, simboliza a "inocência, a candura unânime, a pureza virgem" que é no fundo a alma portuguesa. Mas, para além desta sintonia com a alma nacional, há uma outra razão de carácter histórico - o branco foi a base de todas as bandeiras portuguesas desde a fundação da nacionalidade até ao constitucionalismo. "Da bandeira da República não pode pois desaparecer o Branco" - conclui o relatório. E contudo desapareceria.

Pelo contrário, o azul, para além da analogia visual com o céu e o mar (dois elementos da nossa "preferência ancestral e da nossa... Fatalidade histórica), nada tem "de notável, de basilar, de característico ou necessário" em relação à "nossa tradição e à nossa história".

O azul associado ao branco aparece apenas após 1830 e, pior do que isso, não procura significar a soberania nacional, antes chama à bandeira o culto católico de Nossa Senhora da Conceição, "preito à padroeira oficial do Reino" Além disso, o azul-branco estava inegavelmente ligado às "corruptas brandícias e suaves torpezas" da dinastia de Bragança. "Portanto", conclui a comissão, "para nós, histórica e moralmente o azul é uma cor condenada".

Com o vermelho tudo é diferente. Tal como o branco, não só invoca a alma nacional como tem longa tradição na história das bandeiras portuguesas. "O vermelho é a cor combativa, quente, viril, por excelência [...] a cor da conquista e do risco" tão intimamente ligada às "manifestações da lusa nacionalidade". Por outro lado, figura na bandeira desde D. João II e essa presença é agora reavivada com o verde a que se associa na bandeira da jornada gloriosa do 5 de Outubro.

O verde, sim, não teria ainda raízes na consciência nacional. Porém, "foi uma das cores que preparou e consagrou a revolução".

"Portanto", conclui o relatório, "as duas grandes cores fundamentais da Bandeira da nova República devem ser, bipartindo-a no sentido vertical, o vermelho-escarlate e o verde-mar."

Quanto às armas, propõe a comissão, a "esfera armilar", "padrão eterno do nosso génio aventureiro" e o escudo branco com quinas azuis "da fundação da nacionalidade".

Também Teófilo Braga, em polémico artigo de jornal, defende as suas cores - verde e encarnado.

Partindo da evolução histórica da bandeira nacional anatematiza o azul e branco e procura legitimar, com razões não ligadas ao republicanismo, as cores republicanas.

O azul-branco, além de recente, tem sobretudo uma tradição pouco brilhante na história heráldica portuguesa. Adoptado pelos revolucionários de 1820, é recuperado por D. Pedro IV após a Carta Constitucional de 1826 e depois da implantação do liberalismo. Ligada ao princípio da "outorga", "a bandeira azul-branca acompanha esta transição sofismando sempre o reconhecimento da soberania nacional".

Pelo contrário, o branco invoca D. Afonso Henriques e a fundação da nacionalidade, o vermelho, D. Afonso III e a conquista do Algarve, e o verde, a Ala dos Namorados em Aljubarrota. E assim dizia Teófilo: "Para justificar as cores republicanas, temos a cor vermelha da conquista do Algarve, em que se integrou o território português, e a cor verde do pendão vencedor em Aljubarrota, que reivindicou a autonomia de Portugal [...]".

No que respeita às armas, Teófilo propunha que se juntasse uma legenda camoniana à faixa zodiacal da esfera armilar: "Se mais mundos houvera [...]", ou, no caso de figurar o laço azul-branco dos revolucionários de 1820 na parte inferior da esfera, que se inscrevesse a divisa de D. João II - "A Lei, pela Grei".

A tese de Teófilo Braga foi largamente contestada, tanto no que respeita aos seus argumentos históricos como heráldicos. Porém, mais do que isso, importa o seu significado político.

O azul-branco

Guerra Junqueiro foi sem dúvida o grande tribuno da bandeira azul e branca, diligenciando junto da comissão e do próprio Governo Provisório, polemizando na imprensa e apresentando o seu projecto ao povo de Lisboa na Sociedade de Geografia.

Em artigo publicado na imprensa lisboeta desenvolve um longo estudo onde justifica as suas razões e expõe os seus pontos de vista.

Também para o poeta a bandeira deve traduzir a alma da nação e também para ele as cores são o problema fundamental.

Numa longa prosa poética explica o significado das cores e a sua relação com o génio português.

O branco "é candura, pureza perfeita, virtude sem mancha". O vermelho é "um excitante da vida, dá-lhe ardor, impele a acção, provoca a luta". O azul é "serenidade, bondade, graça ingénua, alegria cândida". O ouro "é glória, vitória, triunfo, êxtase e apoteose". São estas as cores da alma nacional. E assim como as cores devem traduzir o génio do povo, diz o poeta, também as armas e as "insignia" devem traduzir num "resumo instantâneo a história pátria".

Depois disso lança-se Junqueiro na análise da evolução histórica da bandeira nacional, da fundação à República, e conclui perguntando: "Expulsa a realeza caiu da bandeira inerte o diadema real. Só o diadema? E as cores? O azul e branco não se evolaram também?... O Pendão da Rotunda era verde e vermelho... O Pendão do 31 de Janeiro iluminou-se como o da Rotunda de vermelho e verde. O ódio à Monarquia, à farsa sinistra do Constitucionalismo depôs o azul e branco inteiramente? Não. Ao proclamar-se a República das varandas da Casa do Município ladeavam o estandarte vermelho e verde duas bandeiras azuis e brancas."

E assim, avança o modelo para a sua bandeira no tom poético que o caracteriza:


O Campo azul e branco permanece indelével. É o firmamento o mar o luar, o sonho dos nossos olhos o êxtase eterno das nossas almas.
Os castelos continuam em pé inabaláveis, de ouro de glória, num fundo de sangue ardente e generoso ...

A cruz do calvário, as das cinco chagas essa não morre, é o abraço divino, o abraço imortal...

A coroa do Rei, coroa de vergonhas, já o não envilece, o não vislumbra. No brasão dos sete castelos e das quinas erga-se de novo a esfera armilar da nossa glória...

E ao símbolo augusto do nosso génio ardente e aventuroso, coroemo-lo enfim de cinco estrelas em diadema dos cinco astros de luz vermelha e verde [ ...] dessa manhã heróica da rotunda.

Sampaio Bruno foi outro dos defensores acérrimos do azul-branco.
Para Bruno as cores da bandeira devem continuar a ser o azul e o branco. Mais, a bandeira "deve ser a mesma, somente tirando-se-lhe a coroa", coroa essa substituída no seu projecto "por uma estrela de ouro".

As razões invocadas são sumárias e bem menos poéticas que as de Junqueiro. "É que a bandeira azul e branca", diz, "com o seu escudo e a sua disposição, é a única que o preto de África conhece como representativa da soberania de Portugal."

O debate verde-rubro/azul-branco teve repercussão tal que chegou a ter tradução poética, numa polémica literária, com réplicas e tréplicas, na imprensa, entre duas figuras, hoje esquecidas na literatura portuguesa mas ao tempo muito em voga - a poetiza Luthegarda de Caires, defensora do azul-branco, e o poeta Humberto Beça, defensor do verde-rubro.

Os projectos de conciliação

Múltiplos e os mais diversos foram os projectos de conciliação com diferentes nuances de pendor mais azul-branco ou mais vermelho-verde.

A tese do major Santos Ferreira, autoridade reconhecida na matéria, defendida na imprensa e posteriormente em público na Sociedade de Geografia, parece conferir legitimidade aos projectos de conciliação.

Segundo Santos Ferreira, o azul-branco não são cores monárquicas. São, sim, as cores da fundação da nacionalidade e simultaneamente da reivindicação democrática das Cortes Constituintes de 1821.

Azul e branco não são, pois, as cores da Monarquia, mas antes as cores da Nacionalidade e da Liberdade.

Por outro lado, o vermelho e verde, "as cores das jornadas gloriosas de 4 e 5 de Outubro", não podem deixar de ser consideradas. Porém, diz Santos Ferreira: "[...] Sobrepor ao trabalho patriótico de três gerações de batalhadores infatigáveis a glória do episódio que aqueles prepararam durante quase um século afigura-se-me injusto [...]", e conclui: "Conservemos [...] a antiga bandeira azul e branca, não só porque representa para nós a ideia da independência afirmada há oito séculos pelos soldados de Afonso Henriques [...] mas ainda e principalmente porque ela representa o heróico esforço de três gerações de escravos para a conquista da liberdade agora finalmente atingida.

E às cores verde e vermelha? símbolos do epílogo desta gloriosa e longa jornada iniciada em 1820, demos um lugar honroso nessa mesma bandeira [ ...] ."

Estava legitimada a conciliação das duas simbólicas. E os projectos de conciliação multiplicaram-se e foram tantos ou tão poucos que mereceram mesmo a "paródia" de um projecto síntese, "projecto racional" de conciliação para todos os paladares.

De entre os vários projectos conciliatórios merece um destaque especial, tanto pela coerência da sua justificação teórica como pelo seu equilíbrio e harmonia estética, o projecto do poeta Delfim Guimarães, cuja execução gráfica pertenceu ao pintor Roque Gameiro.

Partindo da impossibilidade do restabelecimento da bandeira azul e branca e das críticas violentas feitas ao projecto da comissão (já que as cores revolucionárias escolhidas - verde-vermelho - "são cores complementares e absolutamente antagónicas"), procuram uma outra bandeira de conciliação, mas totalmente diversa das anteriores. E o resultado é tanto mais surpreendente quanto, sendo esteticamente mais correcto, dizia-se, era mais coerente com o relatório da comissão do que o seu próprio projecto.

À cor branca, cor nacional por excelência - que o relatório da comissão afirma não poder desaparecer da bandeira da República e acaba por banir -, juntam Roque Gameiro e Delfim Guimarães as cores revolucionárias verde e vermelho, dispostas em três barras horizontais: uma vermelha, em cima, uma branca, ao centro, de maior dimensão, e uma verde, em baixo.

O branco, além de atenuar "a crueza das cores verde e vermelha", admite que nele assente com maior harmonia plástica a esfera armilar e o escudo das quinas, que, para evitar outras "insignia", sem quebrar o equilíbrio, terminava em bico.

Assim, "com esta disposição mantêm-se na bandeira portuguesa as duas cores simbólicas da bandeira republicana, aliadas à antiga cor do pavilhão nacional".

A conciliação das cores teve também consagração poética, pela pena do poeta Alexandre Fontes, ele próprio autor de dois projectos para a bandeira nacional.

Esta longa e acesa polémica não teve, contudo, resultado político. O Governo Provisório, por princípio ou receio, nunca aceitou o plebiscito, e a Assembleia Nacional Constituinte, na sua sessão de abertura, ao mesmo tempo que decreta a abolição da Monarquia sanciona o projecto aprovado pelo Governo para a bandeira e para o hino nacionais.

Por decreto de 19 de Julho de 1911, a Bandeira Nacional passa a ser em definitivo "bipartida verticalmente em duas cores fundamentais, verde escuro e escarlate, ficando o verde escuro do lado da tralha. Ao centro e sobreposto à união das duas cores terá o escudo das armas nacionais orlado de branco e assente sobre a Esfera Armilar em amarelo avivada a negro".

Dias depois era publicado o parecer técnico sobre as medidas e proporções da bandeira nacional, como das bandeiras regimentais e do Jack para os navios.

Estava definitivamente consagrada a nova bandeira da República Portuguesa.

A vitória da bandeira verde-rubra é, pode dizer-se, a vitória da ala jacobina do republicanismo e consagra simbolicamente os princípios ideológicos e políticos da propaganda republicana.

De facto, se procurarmos sob o discurso de legitimidade nacional invocado para justificar o cromatismo "verde-rubro" - da simbólica das cores a que corresponderia o génio português aos episódios histórico-militares da memória heróica a que estariam associadas -, encontramos um discurso outro, cujo registo de legitimidade se encontra, não no plano das razões nacionais, mas sim no da tradição republicana.

Na simbólica da bandeira poder-se-á dizer que as cores são o elemento de ruptura, enquanto as armas são o elemento de continuidade histórica, mas ambos conformes aos princípios republicanos.

Ao banir o azul-branco, a bandeira da República bania de um só golpe a marca simbólica da "Monarquia corrupta de Bragança" e a alusão ao culto católico da padroeira, no respeito da mais estrita tradição antimonárquica, laica e anticlerical do republicanismo.

O vermelho, herdado da bandeira do 31 de Janeiro, é a cor dos movimentos revolucionários e populares, marca indelével da matriz política democrática da tradição republicana.

O verde, herdado das bandeiras do 31 de Janeiro e do 5 de Outubro, é também a cor destinada por A. Comte aos pavilhões das nações positivas do futuro, como o relatório da própria comissão deixa transparecer. O verde marca assim a matriz ideológica positivista do republicanismo.

O escudo dos quinas e a esfera armilar evocam os dois momentos mais altos da história portuguesa que o imaginário político republicano opunha à decadência do constitucionalismo - a fundação da nacionalidade e a epopeia marítima. Marcam, pois, a matriz nacionalista e colonial do republicanismo histórico.

A bandeira verde-rubra, antes de ser Bandeira Nacional, é essencialmente a bandeira da República.

O verde-rubro - Da legitimidade republicana à legitimidade nacional.

Durante os regimes monárquicos, a bandeira dos estados era o estandarte da Casa Real. A bandeira era o símbolo da terra e do povo na medida em que o era do seu soberano. A bandeira nacional era a bandeira da dinastia reinante.

Só depois das revoluções liberais e dos nacionalismos do século XIX se começa a associar a bandeira aos conceitos de soberania e nacionalidade. A partir daqui começa a dissociar-se o Estandarte Real, indicativo do Chefe do Estado, da bandeira, símbolo nacional. A legitimidade da bandeira era, até então, a legitimidade dinástica.

A bandeira da República afasta em definitivo e como é óbvio a legitimidade dinástica. Contudo, a sua legitimidade não se torna ainda nacional.

Nem todos os portugueses reconhecem a bandeira verde-rubra. E não só os monárquicos, como boa parte dos republicanos, como se pode ver durante a polémica. Os actos de desrespeito e repúdio pelo símbolo nacional foram frequentes, não só entre civis como entre os militares. Houve mesmo os que se recusaram a jurar bandeira.

É que a simbólica verde-rubra comportava uma forte carga republicana e estava indissociavelmente ligada ao regime. A legitimidade da bandeira da República era uma legitimidade essencialmente política.

Só o tempo e sobretudo a travessia das vicissitudes políticas e militares do próprio regime, que a memória colectiva regista, vão conferindo à bandeira legitimidade nacional.

De facto, ao atravessar sem mácula as diferentes fases do regime - a República propriamente dita, a República Nova, a Nova República Velha - a bandeira vai ganhando expressão nacional.

Mas mais do que tudo isso são os acontecimentos militares da Grande Guerra, onde se defendem, sob a bandeira verde-rubra, os interesses portugueses na Europa e a integridade do território colonial em África, que Ihe confirmam a conotação nacional. Na memória colectiva Naulila e La Lys vêm juntar-se à já longa genealogia da gesta heróica dos Portugueses e, assim, recuperar o passado legitimando o presente.

A passagem do tempo e dos regimes políticos - a Ditadura Militar, o Estado Novo, o 25 de Abril - sob o mesmo símbolo faz com que se desenvolvam relações profundas e recíprocas entre a imagem da República e a imagem da Pátria que tendem a confundir-se no imaginário político nacional.

Ao fim deste longo e complexo processo a bandeira republicana ganha uma legitimidade que se torna plenamente nacional e que o poeta Bernardo Passos traduzia na sua expressão:


[...] Ela é tão nossa já, a guiar-nos os passos...
De tal forma diz Pátria, essa bandeira bela,

Que ou esta Pátria vive erguendo-a bem nos braços
Ou esta Pátria morre amortalhada nela!

Nuno Severiano Teixeira
Separata de A Memória da NaçÃo, 1991

Publicado por james stewart às 06:51 EM

RELAÇÕES PÚBLICAS 16

Apesar de perspectivas bem interessantes, ainda existem divergências por parte de alguns estudiosos do segmento de assessoria envolvendo suas origens e seu desenvolvimento.

JORNAL DE DEBATES
RELAÇÕES PÚBLICAS
Um ilustre desconhecido para o jornalista

Boanerges Lopes (*)

A consolidação das atividades de assessoria de imprensa e de comunicação no Brasil é inquestionável. Nos últimos cinco anos, 23 dos maiores grupos empresariais aumentaram em até 70% seus investimentos na área de comunicação, segundo a revista Exame. Os dados do Guia Exame 100 Melhores Empresas para Você Trabalhar mostram que, as organizações têm grande preocupação em manter um canal permanente de informação com seu pessoal. Um dos quesitos do ranking era "Clareza e abertura na comunicação interna". Apenas quatro entre as listadas não obtiveram a maior pontuação nesse item, as cinco estrelas.

O segmento de assessoria, em expansão, apresenta-se hoje como um dos principais blocos de referência para o exercício das práticas jornalísticas, ao lado dos meios impressos, da TV e à frente do rádio. Segundo o professor Gaudêncio Torquato, avançamos muito nas últimas décadas com o crescimento dos negócios, a abertura do universo de locução e com o fenômeno da globalização. Dados consolidados dão conta de que o faturamento das 10 maiores empresas de assessoria atingiu em 2001 o patamar de 500 milhões de reais, o triplo de 1997. Já há duas brasileiras entre as 12 maiores empresas do mundo no ramo. A Casa Branca – sede oficial do governo americano – gasta por ano 3,5 bilhões de dólares com estratégias de comunicação, sendo que 1,5 bilhão de dólares destinados ao relacionamento com os meios.

Imagem institucional

Apesar de perspectivas bem interessantes, ainda existem divergências por parte de alguns estudiosos do segmento de assessoria envolvendo suas origens e seu desenvolvimento. Também se sucedem problemas na utilização equivocada de determinadas ferramentas, que acabam superpostas por falta de conhecimento ou por procedimentos incorretos de alguns profissionais. Pesquisa denominada "Papel e atuação de jornalistas e relações-públicas em uma organização, segundo jornalistas", deixa claro que ainda existe muita desinformação por parte dos jornalistas sobre as atividades de relações públicas nas organizações. Realizada pelo jornalista Jorge Duarte e pela relações públicas Márcia Duarte, com 262 profissionais de imprensa em quatro capitais brasileiras, a partir de respostas prestadas em concursos públicos para núcleos de assessoria em estruturas governamentais federais, a pesquisa conclui que, para o jornalista, o relações públicas é um ilustre desconhecido.

O estudo demonstra que na opinião do jornalista o relações-públicas assume a tarefa vaga de "cuidar da imagem" e para isso utilizaria, particularmente, a promoção de eventos, entre outras ações não claramente especificadas, mas que permitem a visualização (e não visibilidade) da instituição. Trata-se de uma imagem externa, para "ser vista", para garantir a "boa aparência" e obter a "boa aceitação" da sociedade, do público consumidor, dos demais públicos de interesse.

Segundo Jorge Duarte, fica nítida a preocupação dos jornalistas em diferenciar o papel dos dois profissionais, enfatizando-se que jornalistas "cuidam da informação" e os relações-públicas "cuidam dos relacionamentos". Na opinião do autor da pesquisa, há convicção entre os jornalistas de que o papel do relações-públicas está mais vinculado à questão da criação e manutenção de uma imagem institucional, embora eles não saibam definir com maior rigor e precisão as tarefas do RP e suas formas de operacionalização.

Atribuições e responsabilidades

"Embora não fique claro como isto é feito, o relações-públicas é considerado ponte, elo entre a empresa e seus públicos, exceto a mídia. É quem realiza ações objetivando a interação da empresa com seus vários públicos, promovendo o ‘bom relacionamento’, a harmonia, a mobilização e a cooperação entre todos, em prol da defesa dos interesses da instituição", destaca Duarte.

Na concepção dos autores fica evidente um outro problema na pesquisa: os textos não permitem identificar o reconhecimento de que a natureza do trabalho desenvolvido nas assessorias é diferente daquela adotada tradicionalmente pelo "jornalismo das redações", na qual neutralidade e independência são conceitos-chave. Ao revelar suas posições, os profissionais esboçam tentativas de explicar como o jornalista pode manter seu compromisso de servir ao público, de primar pela verdade e pela objetividade da informação, estando ao mesmo tempo servindo aos interesses de uma instituição à qual está subordinado e por cuja imagem é responsável. Mas não são muito bem-sucedidos pois, paradoxalmente, defendem o papel de compromisso com a informação, mas a partir e conforme as diretrizes da empresa e sua necessidade de manter uma imagem positiva. Fica claro para os pesquisadores, neste caso, um impasse não-resolvido e uma certa dificuldade em estabelecer sua própria identidade, resultado da crença no jornalismo autônomo, imparcial e crítico, mas submetido, pelas novas circunstâncias profissionais, à dependência e à parcialidade, características de seu agir nas organizações não-jornalísticas.

A ocupação desordenada das assessorias de comunicação nos últimos anos, uma legislação ultrapassada e de certa forma aberta a "interpretações dúbias", além de um processo de formação que ainda engatinha nas escolas de Comunicação estão entre outros fatores que provocam tantas confusões nos profissionais atuantes e naqueles que almejam ocupar espaços nas estruturas organizacionais. É preciso que se superem estes obstáculos para que tenhamos o reconhecimento definitivo de que cada uma das áreas que compõem a estrutura de comunicação das empresas reúne suas respectivas atribuições e responsabilidades e que administradas adequadamente evitam serviços improdutivos e desrespeito ético e técnico. E podem contribuir para que o empresariado de médio e pequeno porte – base econômica do país – e as autoridades governamentais se conscientizem da importância da comunicação em seus empreendimentos.

(*) Jornalista e professor da UFAL, autor de O que é assessoria de imprensa

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/jd041120035p.htm



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Publicado por james stewart às 06:46 EM

RELAÇÕES PÚBLICAS 15

Uma organização necessita ter entre os seus objetivos de comunicação o de procurar harmonizar seus interesses aos públicos a ela vinculados. Assumir seu papel de empresa cidadã, tendo conhecimento das condições que lhe cercam e sensibilidade para reconhecer potencialidades ainda não exploradas, como a questão da responsabilidade social corporativa calcada no trabalho voluntário organizado é um valor essencial para o reconhecimento do público e a consolidação da imagem institucional e, nesse sentido, a atividade de Relações Públicas desempenha um importante papel.

MONOGRAFIA: A Atividade de Relações Públicas e a Responsabilidade Social Corporativa

MONOGRAFIA ESCRITA PELA RELAÇÕES PÚBLICAS
LISIANE CESAR DA CUNHA

PROFESSORA ORIENTADORA
GLAFIRA BARTZ

Resumo:

Uma organização necessita ter entre os seus objetivos de comunicação o de procurar harmonizar seus interesses aos públicos a ela vinculados. Assumir seu papel de empresa cidadã, tendo conhecimento das condições que lhe cercam e sensibilidade para reconhecer potencialidades ainda não exploradas, como a questão da responsabilidade social corporativa calcada no trabalho voluntário organizado é um valor essencial para o reconhecimento do público e a consolidação da imagem institucional e, nesse sentido, a atividade de Relações Públicas desempenha um importante papel.

Palavras-chave:

Atividade de Relações Públicas
Responsabilidade Social Corporativa – Voluntariado
Imagem Institucional

Texto:
Parte 1 – A Monografia

1. OBJETIVO

 Analisar a contribuição da atividade de relações públicas no fortalecimento da imagem institucional e identificar os benefícios para a empresa que investe em trabalho voluntário organizado.

 Relacionar as ações sociais desenvolvidas pelo Programa Clarificando o Futuro com o fortalecimento da imagem institucional da empresa de telefonia do Rio Grande do Sul Claro Digital.

2. COMO

O método utilizado foi a leitura e documentação por meio de pesquisa bibliográfica e documental. Para o levantamento de dados da Claro Digital, adotou-se o método de observação.


Parte 2 – Conceituação

As organizações cada vez mais compreendem e valorizam a necessidade de traçarem estratégias, a partir de seus planejamentos estratégicos, para se relacionarem, de forma adequada, com os inúmeros públicos com os quais interagem.

Uma organização necessita ter entre seus objetivos de comunicação o de procurar harmonizar seus interesses aos públicos a ela vinculados. Assumir seu papel de empresa cidadã, somando suas iniciativas às ações voluntárias é um valor essencial para o reconhecimento do público e a consolidação da imagem institucional.

Sabe-se que as organizações são organismos vivos e, ao longo do tempo, acabam incorporando mudanças e procedimentos para se adaptar às novas realidades e garantir a sobrevivência. É nesse quadro que encontramos o papel do terceiro setor que surge como um diferencial às empresas que desejam exercer a sua responsabilidade social e tornar-se cidadãs (Ioschpe et. al.,1997; Melo Neto e Froes,1999).

Hoje, há convicção, tomando como referência autores como Chiavenato (1994) e Mattelart (1994), de que as organizações precisam incorporar em sua postura uma boa dose de cumplicidade e participação na comunidade em que estão inseridas.

Nesse sentido, a atividade de relações públicas tem muito a contribuir ao mediar a relação da organização com os diversos públicos, planejando ações de comunicação de forma responsável, calcadas em princípios éticos e morais.

1. O QUE É RESPONSABILIDADE SOCIAL DAS EMPRESAS

 De acordo com Melo Neto e Froes :

“Responsabilidade social corporativa é o comprometimento permanente dos empresários de adotar um comportamento ético e contribuir para o desenvolvimento econômico, melhorando, simultaneamente, a qualidade de vida de seus empregados e de suas famílias, da comunidade local e da sociedade como um todo”.

 Na opinião de Montana:

“As empresas adeptas ao método da responsabilidade social buscam ativamente a aprovação da comunidade por seu envolvimento social e desejam ser vistas como “politicamente corretas”. Grande esforço na área de relações públicas da corporação é direcionado para a obtenção desse reconhecimento público.”

2. VOLUNTARIADO

A definição da ONG Parceiros Voluntários:

“Voluntário é toda pessoa ou organização que, motivada pelos valores de participação e solidariedade, disponibiliza seu tempo, seu trabalho, seu conhecimento e seu talento para causas de interesse social e comunitário”.

A participação voluntária do segmento empresarial tem propiciado o fortalecimento de um elo importante no processo de mobilização, divulgação e conscientização da comunidade sobre a cultura do trabalho voluntário organizado.


3. BENEFÍCIOS PARA A EMPRESA QUE INVESTE EM TRABALHO VOLUNTÁRIO


 Valor agregado à imagem da empresa:

Reconhecimento por sua atuação na comunidade e fidelidade a produtos e marcas por meio da associação com o social.
Garante a preferência dos consumidores e obtêm vantagem em relação aos seus concorrentes.

 Nova fonte de motivação e escola de liderança para os funcionários:

Os funcionários que atuam como voluntários tem aberto um campo rico para o crescimento pessoal e profissional e a criatividade.

 Consciência coletiva interna:

Resulta em participação no encaminhamento de soluções de causas sociais, com reflexos na consolidação de valores de solidariedade e aproximação da hierarquia, ingrediente fundamental para o espírito do trabalho em equipe. Engajamento de seus colaboradores.

 Mobilização de recursos disponíveis da empresa, sem necessariamente implicar custos adicionais.

 Trata-se de reforçar conceitos e características, qualidades e inovações de produtos e marcas que só conquistam a preferência do mercado mediante uma adequada política de comunicação.

Isso é essencial para a organização e deve constituir uma prioridade para o sistema que opera interna e externamente, visando a sua imagem e a sua aceitação como empresa que se preocupa com as questões sociais do país.

 Quanto aos colaboradores que participam em trabalhos voluntários, os resultados são imediatos e relevantes.

Esses aprendem a valorizar mais a empresa, adquirem status e prestígio ao serem identificados como participantes de um programa social de grande importância para a comunidade e ainda participam de uma experiência social e inovadora.

4. A ATUAÇÃO DA ATIVIDADE DE RELAÇÕES PÚBLICAS

Conforme Kunsch, as RRPP devem atuar da seguinte forma:

“As relações públicas têm um importante papel a desempenhar no contexto da comunicação institucional, onde é de sua responsabilidade usar todos os meios possíveis para criar e construir uma identidade corporativa da organização perante a opinião pública e a sociedade em geral”.

A atividade de relações públicas pode atuar como fator de reforço ou correção da imagem na consecução dos objetivos pretendidos pela organização. As ações devem ir ao encontro das mensagens que a empresa transmite continuamente, por meio de seus produtos e/ou serviços e de suas atitudes perante a comunidade da qual faz parte.

Hoje, a imagem organizacional é um pré-requisito estratégico do sucesso de qualquer empresa e, no entanto, cabe à atividade de relações públicas dar a sua contribuição na consolidação da imagem institucional da empresa que investe em ação social, tornando-a mais visível, simpática e preocupada com a comunidade e com os seus funcionários.

Sendo assim, para o fortalecimento da imagem, é importante que as relações públicas incluam no planejamento estratégico da organização trabalhos voluntários organizados. Além disso, cabe promover a análise conjunta dos valores, da missão e das metas, para fazer aparecer um instrumento de fundamental importância para a ação da organização, que se denomina de definição estratégica do conceito organizacional, ou seja, a definição de como a organização quer ser vista pelo público.


Parte 3 – Análise de Cenário da Claro Digital


1. Quem é

A Claro Digital é a operadora do serviço de telefonia celular / Banda B, do Rio Grande do Sul.

2. Programa

Clarificando o Futuro

3. DEFINIÇÃO DO PROGRAMA CLARIFICANDO O FUTURO

Representa a construção de um caminho para o cumprimento da responsabilidade social. Apoiado no trabalho voluntário organizado, ele integra o colaborador que deseja disponibilizar seu tempo e seu talento a uma entidade social civil integrante do terceiro setor.

4. FOCO

Educação de crianças

Nele, atua em três creches: Creche Alan, Lar da Criança de Porto Alegre e Sociedade Criança Feliz de Caxias do Sul.

Processo de Definição do Foco

Foi definido através de uma pesquisa interna efetuada através da Intranet, em junho/99, para saber do interesse dos colaboradores em participar de um programa de voluntariado e qual o foco que gostariam de atuar. Como a filosofia seguida do programa é a do voluntariado organizado, a primeira fase do desenvolvimento do programa foi a identificação da vocação social de seu público interno.


5. OBJETIVOS

 Oportunizar o envolvimento organizado dos colaboradores em projetos junto à comunidade, permitindo um exercício mais pleno de sua cidadania;

 Disponibilizar conhecimento às organizações sociais, através do repasse de modernas técnicas de gerenciamento, visando à profissionalização das mesmas;

 Otimizar o uso dos recursos investidos na área social;

 Reforçar o modelo de participação baseado na transferência de recursos humanos e no conhecimento e reduzir o modelo de participação social através de patrocínio financeiro/ filantropia;

 Mobilizar as cadeias de clientes e fornecedores nas causas sociais;

 Fortalecer a imagem da Claro Digital junto à comunidade (marketing social) através de projetos sociais, consolidando este diferencial competitivo a partir do exercício de sua responsabilidade social e a sua postura ética.


6. ANÁLISE DO CENÁRIO

A Claro Digital, através do Programa Clarificando o Futuro, deseja cumprir com a sua responsabilidade social, fortalecer a sua imagem institucional, bem como manter permanentemente a motivação da sua equipe de colaboradores.

Ela tem como missão ser a melhor opção em serviço de telefonia celular do Estado do Rio Grande do Sul. Esse objetivo é alcançado por meio de um planejamento estratégico e de estudos das necessidades dos seus clientes. Esse cliente é a comunidade do Rio Grande do Sul, e o objetivo da Claro Digital é satisfazer os gaúchos. Não só proporcionando um ótimo serviço, mas também ajudando no desenvolvimento de um Estado promissor, e um Estado é feito de pessoas. Por isso, a missão da Claro Digital é também ajudar as pessoas. Ajudar de diferentes formas, desde possibilitar uma comunicação mais clara até investir nas necessidades da população. Dessa forma, a empresa acredita que todos crescerão juntos.

Sendo assim, por meio de ações beneficentes e organizando campanhas comunitárias e voluntárias, a Claro Digital interage com a comunidade. Sua participação vai além do mercado de serviços de telecomunicações, e isso está explícito em suas ações.


Parte 4 - Conclusão


A partir do estudo e do levantamento de informações a respeito da responsabilidade social corporativa das organizações, foi possível constatar que, com as mudanças sociais, culturais, econômicas e políticas que estão ocorrendo, as empresas estão sentindo que precisam planejar melhor suas atividades, objetivando atender às necessidades e aos anseios da comunidade em que atuam e dos seus próprios funcionários.

Com essas mudanças, os públicos de um modo geral passaram a ser muito mais exigentes, pois não basta mais que a empresa se preocupe somente com a qualidade de seus produtos ou serviços, com o lucro e o cumprimento das leis. Hoje, a responsabilidade e o compromisso social são premissas básicas para a sua legitimação.

Apoiada nessa constatação, cada vez mais as organizações sociais estão percebendo a importância de desenvolver suas ações de comunicação a fim de satisfazer os diversos públicos nos quais interagem. Nesse caso, a atividade de relações públicas tem muito a contribuir no sentido de facilitar o intercâmbio das organizações com os seus públicos.

Hoje, mais do que nunca, as organizações estão revendo seus conceitos, reciclando, aprimorando em busca da excelência em seus produtos e serviços e agregando valores aos mesmos para conseguir sobreviver e proporcionar uma maior credibilidade junto aos seus públicos. Elas estão assumindo novas posturas e atitudes na sociedade de hoje, pois passaram a ter uma preocupação maior com as questões sociais do país.

Nesse contexto, é preciso que as empresas tenham cada vez mais conhecimento das condições que lhe cercam e sensibilidade para reconhecer potencialidades ainda não exploradas, como, por exemplo, a questão da responsabilidade social corporativa calcada no trabalho voluntário. Pode-se dizer que as organizações tornam-se socialmente responsáveis na medida em que atuam voluntariamente para manter ou aumentar o bem-estar social. E aqui cabe ressaltar o terceiro setor como o caminho para uma ação social conseqüente e eficaz para as empresas, sejam elas públicas ou privadas.

A participação voluntária do segmento empresarial tem propiciado o fortalecimento de um elo importante no processo de mobilização, divulgação e conscientização da comunidade sobre a cultura do trabalho voluntário organizado.

Conforme é abordado no trabalho, quanto a questão dos benefícios para as empresas que investem em trabalho voluntário, é importante destacar o valor agregado à imagem da empresa e o rendimento favorável no ambiente de trabalho dos colaboradores que são voluntários. Eles apresentam-se mais motivados e criativos, crescem pessoalmente, e há um reforço no espírito do trabalho em equipe e na mobilização de recursos.

Além disso, os programas sociais acrescentam interesse e visibilidade à marca da organização, propiciando não só admiração e respeito, mas também interesse. Há também reconhecimento pela sociedade, que começa a valorizar as empresas socialmente responsáveis.

Outro fator importante é a questão do fortalecimento da imagem institucional, pois essa é relacionada por meio dos valores da empresa e reflete-se diretamente nas expectativas em relação aos produtos ou serviços e às ações que desenvolvem em benefício da comunidade onde está inserida.

A imagem está associada à confiança que a empresa e os seus produtos ou serviços merecem, pois percebe-se que a maioria das organizações estão buscando associar à sua imagem atributos que sejam considerados valiosos, como a integração na comunidade.

Então, cabe às organizações terem bem definido a sua missão e seus objetivos, pois esses fornecem diretrizes para determinar quais áreas de responsabilidade social são de seu interesse. Uma empresa cidadã que é reconhecida pela excelência da sua atuação na área social ganha a confiança, o respeito e a admiração dos seus públicos. As empresas devem demonstrar, com atos concretos, o seu interesse pelo bem-estar da comunidade a que pertencem. Devem também divulgar essas ações, utilizando-se de mensagens adequadas.

Nesse sentido, a própria atividade de relações públicas precisa ter a capacidade de percepção e discernimento para melhor adaptar os meios e instrumentos disponíveis para uma imagem que atenda à missão da organização. Nesse caso, o planejamento é fundamental, garantindo a boa qualidade e a eficácia das ações implantadas pela organização.

Para a empresa que investe em trabalho voluntário, torna-se importante engajar seus funcionários nas ações sociais que unifiquem a sua imagem, harmonizando interesses, motivando-os, pois uma efetiva participação desses torna a organização mais visível e simpática para o público externo e mais transparente e aberta para o seu público interno.

Investir em responsabilidade social corporativa caracteriza-se como uma forma de aumentar a visibilidade da empresa junto à comunidade e ainda de gerar maior integração entre os membros do público interno.

Portanto, atividades bem planejadas e adequadas ao público de interesse, podem ser alcançados extraordinários resultados em termos de imagem institucional. Nesse caso, vale ressaltar que a atividade de relações públicas desempenha um importante papel ao buscar a atingir a boa vontade e a cooperação por parte dos públicos de interesse e trabalhar justamente no sentido de projetar uma imagem favorável da organização.

Sendo assim, o Programa Clarificando o Futuro da empresa de telefonia do Rio Grande do Sul Claro Digital ganha destaque, não só junto à comunidade em que realiza as suas ações, mas também entre seus próprios colaboradores. Além disso, torna a empresa reconhecida, por tratar-se de uma organização que se preocupa com as questões sociais, conferindo-lhe uma imagem institucional favorável e reforçando a sua marca.

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Publicado por james stewart às 06:39 EM

RELAÇÕES PÚBLICAS 14

COMUNICAÇÃO EM TEMPO DE CRISE

TEORIA DAS RELAÇÕES PÚBLICAS
2000/01

J.M.

COMUNICAÇÃO EM TEMPO DE CRISE

1. COMUNICAÇÃO DE CRISE
A Crise afecta a globalidade da empresa e a sua imagem…

… e, por isso, deve ter uma resposta também global

O que é a Crise?

• acontecimento aleatório (previsível ou imprevisível)

• não desejado

• em absoluto, inevitável

• frequente (não necessariamente “catástrofe”)

margem de oscilação dos efeitos:

descrédito absoluto »»»»»»»»»»»superação c/ vantagens competitivas
»»»»»»»»»»»

Recomendações gerais

 melhor escudo anti-crise (não infalível) - BOA IMAGEM - amortecimento dos efeitos

 perfil comunicativo elevado - menor vulnerabilidade

 resolver os conflitos quotidianos de pequena escala como se fossem grandes

 plano de crise

2. PLANO DE CRISE
 política de prevenção: dispositivo tipo “termostato” - índices de alarme

conjunto de dossiers, dados, contactos pessoais (rev. e actualizados):

dossiers de informação geral sobre a empresa
dossiers de imprensa
antecedentes de crises
casos simulados de crises
ficheiro de jornalistas especializados
inventário dos canais próprios de comunicação da empresa
…..
Plano de Segurança da informação (exemplo em Imagem Positiva)

3. MORFOLOGIA DA CRISE

Natureza e efeitos diferentes mas morfologia similar

Tripla perspectiva

• fenomenológica (como se vive e percebe a crise)

• taxonómica (critérios de classificação da crise)

• sequencial (desenvolvimento da crise no tempo)

Características muito comuns

• perda de confiança no interior da organização e nos seus públicos

• investigações exaustivas pela comunicação social
(a variável conflito como factor do “newsmaking”)

• incerteza nos clientes (perdas de contratos ou alteração do dia-a-dia comercial)

• popularidade imediata das “vítimas” (mesmo nos casos duvidosos)

• intervenção dos poderes públicos (inspecções, controlos, etc…)

4. ABORDAGEM DO PONTO DE VISTA COMUNICACIONAL


1. a organização é convertida em “objecto mediático”

• efeito de amplificação da sua actuação

• aceleração dos acontecimentos

• tensão da crise + pressão da C. Social e poderes públicos


2. a organização afigura-se “oposta à sociedade” (minimizar riscos)


3. possibilidade de diminuição da capacidade de liderança dos dirigentes

5. ESBOÇO DE UMA TIPOLOGIA

1 - Catástrofes (as crises por excelência)

 grande impacto, proporcional ao dramatismo das consequências e número de afectados

 difusão informativa imediata e profusa (ocasionalmente espectacular)

 participação imperativa dos poderes públicos na resolução da crise

 possivelmente determinantes para o futuro da organização

 graves e pesadas consequências jurídicas

 tempo de recuperação grande


2 - Falhas funcionais graves (em produtos ou serviços)

• diminuição imediata das vendas

• conflitos com associações de consumidores, etc.

• deterioração da confiança do mercado

• ofensivas da concorrência e redistribuição das quotas de mercado

• recuperação relativamente rápida se o mercado é convencido da reparação da falha (gestão da comunicação boa)

3 - Crise de honorabilidade (corrupção administrativa, subornos…)

• perda de liderança dos dirigentes

• sanções administrativas

• – competitividade e + vulnerabilidade

• deterioração da imagem


4 - Ameaças económico-financeiras (fracasso na Bolsa, OPA hostil…)

• mudanças inesperadas na alta direcção - crises internas

• perda objectiva do valor da empresa

• grande papel dos meios de comunicação

• eventualmente feitos favoráveis

5 - Crises internas (conflitos laborais, mudanças traumáticas…)

• fractura no seio da organização

• possível extensão da crise ao exterior

• deterioração do clima interno e baixa da produtividade

• conflitos com sindicatos

• difusão informativa caótica - esforço de comunicação interna

6. SEQUÊNCIA

1 - fase aguda (pressão dos media e espectacularização da informação)

2 - fase crónica (enfrentar consequência jurídicas, administrativas, etc…)

3 - fase de recuperação (restabelecimento do equilíbrio anterior, manifestação dos custos, especialmente os indirectos)

7. PRINCÍPIOS DE COMUNICAÇÃO DE CRISE

1- Antecipação (plano anti-crise, atitude preventiva)

 tipologia de actuações gerais a partir da tipologia de crise

 célula de crise (identificar o alcance e transcendência da crise)

 dispositivo de crise (base eminentemente documental)

 instruções de comunicação em tempo de crise

 regras de actuação sobre confidencialidade, coordenação, canais


2 - Rapidez


3 - Qualidade informativa
 informação precisa (factos: explicação e justificação) Atenção à desinformação !!!

 informação tranquilizadora (desdramatização)

 informação dinâmica (criação de “pontos informativos”)

 veracidade (comunicação mínima, discreta, transparente)

8. PLANO DE CRISE

Etapas:

1 - Identificação da crise (crucial para a estratégia de comunicação)
 estabelecer limites, identificar causas, riscos existentes e potenciais; novos processos de crise induzidos?

 esclarecer responsabilidades próprias e de terceiros

 avaliar danos e número de afectados; avaliar consequências jurídicas, comerciais, internas;

 quais os beneficiários da crise

 determinar o grau de visibilidade mediática da crise (qualitativa e quantitativamente), as atitudes dos media

 reunir a célula de crise

 definir um “discurso de espera” (ganhar tempo, tomar medidas, qual a informação a fornecer e a preservar)

2 - Enfrentar a crise

 constituição de comité de crise
 pessoas-chave

 director de comunicação, de recursos humanos e jurista (outros)

 reunir tantas vezes quantas as necessárias

 avaliação contínua da situação e propostas de modificação do plano de actuação

 meios directos de comunicação

 designação do porta-voz

 atribuição de responsabilidades alternativas ou complementares

 avaliação das necessidades de comunicação

3 - Resolução da crise (execução do plano de comunicação)

 elaboração da informação documental
 discurso da crise ou declaração formal da empresa (posição perante o conflito, explicação de implicações e responsabilidades, assunção do papel de culpado/inocente

 dossiers informativos (estilo simples)

 informação sobre casos anteriores similares


 difusão da informação para o exterior
 comunicados

 contactos telefónicos

 conferências de imprensa

 pontos de informação permanentes

 difusão da informação para o interior

 mediação qualitativa (ganhar aliados e neutralizar detractores)

 avaliação informativa permanente


4 - A gestão da pós-crise (do perigo à oportunidade)