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december 27, 2004
RELAÇÕES PÚBLICAS 20
O profissional de relações públicas pode ter o limite de trabalhar a
cultura dos Direitos Humanos dentro de uma organização, mas de-vemos
reconhecer que as pessoas que nelas atuam certamente se relacionam com
outras fora desse limite. Criando-se uma cultura in-voluntária nese
sentido, ela terá efeitos além; as pessoas passarão a reconhecer
naturalmente os outros e a respeitar suas personalida-des. Ou seja,
estabelece-se uma ampla teia de reconhecimento aos Deveres e Direitos que
cada indivíduo tem para com seus seme-lhantes.
Cadernos de
Comunicação 7
Lenise Soares dos Santos
Eunice Teixeira Olmedo
PRINCÍPIOS, DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS: RELAÇÕES PÚBLICAS E OS DIREITOS HUMANOS
O profissional de relações públicas pode ter o limite de trabalhar a
cultura dos Direitos Humanos dentro de uma organização, mas de-vemos
reconhecer que as pessoas que nelas atuam certamente se relacionam com
outras fora desse limite. Criando-se uma cultura in-voluntária nese
sentido, ela terá efeitos além; as pessoas passarão a reconhecer
naturalmente os outros e a respeitar suas personalida-des. Ou seja,
estabelece-se uma ampla teia de reconhecimento aos Deveres e Direitos que
cada indivíduo tem para com seus seme-lhantes.
Palavras-chave:
Relações Públicas - Direitos Humanos - Comunicação e Direitos Humanos
Resumen:
El profesional de relaciones públicas puede tener el límite de trabajar la
cultura de los Derechos Humanos dentro de una organización, pero debemos
reconocer que las persoas que en ellas actúan ciertamente se relacionan con
outras mas allá de ese límite. Al crearse una cultura involuntaria en ese
sentido, ella tendrá otros efectos: las persoas pasarán a reconocer
naturalmente a los demás y a respetar sus personalidades. O sea, se
establece una amplia telaraña de reconocimiento a los Deberes y Derechos
que cada individuo tiene hacia sus semejantes.
Palabras clave:
Relaciones Públicas - Derechos Humanos - Comunicación y Derechos Humanos
Abstract:
A Public Relations can develop the Human Rights culture in an organization,
yet we should recognize that its workers are surely connected with others
outside the limits of the institution. After being set up an involuntary
Human Rights culture, people will naturally recognize and respect others’
personality.
Key words:
Public Relations - Human Rights - Communication and Human Rights
Introdução
As notícias criam um estado de pavor; os maus tratos tornam-se banais contemporaneamente entre as pessoas. Assim como, a informática e a tecnologia ajudam a automatizar a vida do Homem. O automóvel, na contemporaneidade, tornou-se um elemento de primeira necessidade. Este aparelho é tão usado que na falta dele o indivíduo sente-se perdido, pois ele tornou-se uma extensão do corpo humano. Levá-lo ao conserto também é atitude quase auto-mática. A partir disso, pensou-se em questionar o que pensam as pessoas envolvidas nesse processo, em especial os funcionários de uma concessionária prestadora de assistência aos veículos. Lavar, pin-tar, desamassar, engraxar, vender etc. carros são atividades que en-volvem as mais diversas ações, exercícios e relações entre pessoas. Assim, pensando nesta perspectiva, e atentando para o papel es-clarecedor e mediador do profissional de relações públicas, decidiu-se fazer um levantamento do que pensam, partindo da Constituição Federal Brasileira e da Declaração Universal dos Direitos do Homem, as pessoas que trabalham em uma concessionária de automóveis so-bre dignidade, respeito, bom convívio interpessoal, bem-estar social e profissional, ou seja, sobre os Deveres e Direitos da pessoa huma-na umas para com as outras. Pois, pensa-se que é escassa e neces-sária a atuação do Relações Públicas nesse aspecto.
"Isso é coisa dessa gente dos Direitos Humanos!..." "Lá vêm os ecologistas..." Expressões muito comuns de se ouvir em nosso cotidiano. Frases ditas quando convém, quando a "gente dos Direitos Humanos" assume posição que incomoda. Entretanto, queira-se ou não, todo Ser Humano tem direito, inalienável, à integridade física e mental; tem direito à intelectualidade e ignorância; alegria e tristeza, saúde e doença; tem direito a ter expressão "pessoal, social, de credo, tribal, cultural"; todo e qualquer indivíduo tem Dever e Direito de ser Humano. Assim deveriam, em nossa sociedade, ser percebidos os Direitos Humanos, independentemente do âmbito: regional, nacional, internacional.
Neste último, é questionável (em que se constituiria?) o Res-peito Internacional aos Direitos, uma vez que, muitas vezes, aos paí-ses dominantes, ou de Primeiro Mundo, existem Direitos Humanos a-plicáveis às dimensões internas, mas nas relações internacionais pre-valecem os interesses econômicos e de domínio político, bélico, cul-tural, administrativo de tais países. Em nome da expansão e do do-mínio científico, tecnológico, cultural e econômico, os países do-minantes toleram (e até usufruem) as violações aos Direitos Fun-damentais nos países dependentes, ou pobres.
Além disso, nas últimas décadas, em nome do capitalismo, o desrespeito das grandes potências aos demais Estados manifesta-se ao impor-lhes estilos de vida, culturas, modelos econômicos e polí-ticos, de forma dissimulada, através do que consideram ajuda finan-ceira. Em conseqüência, além de consolidar a dependência eco-nômica, para retribuir a essa ‘ajuda’, os países mais fracos e mais pobres sacrificam sua população, oferecendo-lhes péssimas condições de vida, de habitação, de trabalho. No caso do Brasil, vê-se ampliar a miserabilidade dos cidadãos, cabendo, portanto, a incorporação da matéria dos Direitos Humanos quando da tentativa de bloquear tais sacrifícios. Isso porquê, encontra-se entre os campos de atuação dos Direitos Humanos a tentativa de bloquear o sacrifício da maioria da população do Planeta, de cada sujeito dela, em nome do acúmulo de riqueza e poder por poucos. Nesse sentido, muitas são as ins-tâncias de riqueza e de poder as quais um sujeito está submisso: tanto do filho em relação ao pai, do aluno ao professor, quanto o pai em relação ao chefe de trabalho, o professor aos seus superiores; os empresários entre si e em relação à Administração Pública; os Po-deres Executivo, Legislativo e Judiciário entre si; o cidadão comum aos conhecimentos médicos, legais, técnicos e muitos outros. Ao su-jeito, basta estar inserido no contexto social para estar subordinado a algo ou alguém.
Nessa perspectiva, o desenvolvimento da tecnologia e da au-tomatização pode levar o Homem ao individualismo. Nas empresas ou organizações, a evolução mecanotecnicista pode levar o fun-cionário à autodescrença, quando lhe falta habilidade no domínio das máquinas; ou o empregador a valorizar mais seu maquinário, seus recursos materiais do que os recursos humanos.
Para evitar esse tipo de equívoco, para que a máquina não a-niquile o Ser Humano, é fundamental o desenvolvimento de ações que levem as pessoas à cooperação, visando convergências so-lidárias, culminando com a consolidação de um clima de Harmonia e Dignidade interpessoal.
Em apoio à divulgação dessas ações e tendo como meta a construção de uma sociedade mais humana, em que as pessoas a-ceitem e respeitem seus semelhantes, é necessário que os comu-nicadores sociais reconheçam e assumam suas responsabilidades sociais, contribuindo para o entendimento humano.
Profissionais e teóricos da área organizacional, como Anelisa Brum (1994), ratificam a concepção de usar a comunicação na busca pelo esclarecimento, bom relacionamento e, conseqüente, bom de-sempenho das pessoas dentro de uma organização, ou mesmo fora dela. As relações interpessoais são a alma da empresa e devem ser levadas em consideração, quando ela está em busca da qualidade total. Afinal, o modo com que as pessoas aprendem, cooperam, ino-vam e progridem depende basicamente de seus relacionamentos, sejam pessoais ou profissionais. Ou seja, considerando-se que o que dá vida às organizações são as pessoas, Seres Humanos sociais e co-municativos, também profissionais ligados ao universo organizacional chamam atenção à importância em se instituir um bom sistema de comunicação para a não menos importante circulação de informa-ções na organização.
Os Direitos Humanos na Sociedade
A história dos Direitos Humanos vem desde a Antigüidade, com o Código de Hamurábi, século XVIII antes de Cristo, cujo con-ceito era quaisquer direitos atribuídos a Seres Humanos. Na época se reconhecia a pessoa humana em seus costumes e instituições so-ciais. Com a transformação da sociedade e, principalmente, do Es-tado, impõe-se a necessidade de limitação do poder de uns sobre outros, iniciada mais ou menos no século XIII depois de Cristo. Si-tuação válida ainda para o contexto atual, em que a necessidade da explicitação de (tipos de) poderes coloca a Humanidade perante a Terceira Guerra Mundial.
Segundo Dorneles (1993), a partir de século XVII, formulou-se a doutrina sobre os direitos naturais, preparando terreno para a for-mação do Estado Moderno e a transição do Feudalismo para a Socie-dade Burguesa. Os Direitos Naturais não são mais divinos, mas ex-pressão racional do Ser Humano. Nesse século, Thomas Hobbes de-senvolveu o modelo jusnaturalista moderno, em que o Estado po-lítico seria uma construção racional através da vontade expressa dos indivíduos. O século XVIII se caracterizou pelo confronto com o regime absolutista; período de lutas política e i-deológica, preparando terreno para transformações sociais. É deste século a Declaração da Virgínea, em 1776 e a Declaração dos Di-reitos do Homem e do Cidadão, na França em 1789. Estas são as duas referências da chamada Primeira Geração dos Direitos Humanos.
Na mesma época, Rousseau introduziu a concepção demo-crático-burguesa. A burguesia apareceu no cenário político-social como uma classe revolucionária em luta contra o absolutismo feudal, capaz de aglutinar setores populares em torno de seus projetos, pos-sibilitando a ruptura com o antigo regime e instituindo a ordem burguesa. Dessa luta surgiram condições para a instituição de di-reitos que passariam a ser considerados fundamentais e, ao mesmo tempo, condições para a consolidação do modo de produção capi-talista. Para tanto, eram necessárias a consolidação do Estado Liberal e a regulamentação constitucional dos Direitos dos Indivíduos. Fato que se dá no início do século XIX. Tal estrutura fez desenvolver a crítica social, a organização sindical e política da classe operária e demais setores populares. Esses grupos fazem questionamentos sobre a contradição entre os princípios formalmente divulgados nas declarações de direitos e a realidade vivida cotidianamente pelo povo. Tudo em nome do sa-grado direito individual de contratar livremente as condições de sua vida com o seu semelhante. O século XIX, portanto, dá continuidade a um confronto que parece estar longe de acabar: os direitos fundamentais são os que estão nas declarações, ou seriam direitos sociais que garantam as condições da existência humana?
No fim deste e início do século XX surge a Segunda Geração dos Diretos Humanos, com direitos sociais, econômicos e culturais. É do século XX a Revolução Mexicana; a Revolução Russa de 1917; a criação da Organização Internacional do Trabalho (OIT) pelo Tratado de Versalhes, em 1919; e, em 1948, o mais conhecido e influente documento de "Direitos Humanos" da História: a Declaração Uni-versal dos Direitos Humanos, proclamada pela Assembléia Geral das Nações Unidas. Além de outros documentos menos influentes, mas que também remetem aos direitos individuais e sociais.
No século XX importantes conflitos ocorreram, provocando reivindicações nas relações internacionais; por exemplo, do pós-Se-gunda Guerra vem a Proclamação Universal dos Direito dos Povos (1976), também chamado de "Direitos da Solidariedade", que junto à Declaração Universal dos Direitos Humanos formam a Terceira Geração dos Direitos Humanos.
O fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, trouxe uma no-va realidade para o globo, dividido em blocos de poder, sob a guer-ra fria, vivendo a Era Nuclear. Os exemplos de Hiroxima e Nagasaqui mostram como o conhecimento e a ciência podem contribuir para a ação ilimitado do poder humano. A esperança de limite está na dú-vida de o homem ser ou não capaz de destruir o mundo como sua última atitude. Novas divisões e relações internacionais se es-tabelecem com o fim dessa guerra, apesar de a subordinação dos países dependentes permanecer, e até muito se ampliarem, em re-lação aos dominantes. Colonizadores, colônias e colonizados iniciam uma nova forma de acúmulo de capital: a Era das Multinacionais. Os países do primeiro mundo, e que não tiveram suas estruturas e e-conomias profundamente abaladas pela guerra, aproveitam seu po-der financeiro e organizacional para desfrutar das fontes de energia e recursos naturais de todas as regiões do planeta, principalmente as economicamente mais problemáticas. Tal situação fez nascer a luta pela autodeterminação dos povos e pelo direito a um meio am-biente saudável. Instala-se a Quarta Geração dos Direitos Humanos, defendendo a Harmonia com a Natureza e a utilização do pa-trimônio comum da Humanidade. O documento de destaque é a Carta da Terra ou Declaração do Rio, de 1992.
Essa nova realidade mundial ampliou os movimentos sociais, pois fez surgir novas reivindicações que exigiram atuação não so-mente de grupos pontuais, mas do Estado, de diferentes setores da sociedade, diferentes culturas, diferentes nações a clamar pelos mais diversos direitos. Afinal, é o Planeta que precisa ser salvo.
Direitos Morais: a Ética
O Brasil, nessa perspectiva, também sofreu influências da no-va realidade, tendo seus direitos assegurados na última Constituição Federal, promulgada em 1988. Neste sentido, é importante cada indivíduo conhecer os acontecimentos do seu ambiente. Afinal, se sofre conseqüências, bem como se é agente transformador desse meio. Todos têm Direitos a serem respeitados e Deveres a cumprir pela preservação de sua existência, seus familiares, amigos e cole-gas. O Ser Humano é um ser em eterna transformação, alguns dirão para melhor, outros para pior. Mas, com certeza, o Homem não é estático. Assim, não parece vã ou inútil qualquer tentativa, como a aqui proposta, de verificar o funcionamento da sociedade e alertar para as responsabilidades de cada indivíduo para com o social, bus-cando o que os antigos gregos (séculos antes de Cristo) pro-clamavam como o bem mais alto: a Felicidade. E os relações públicas, enquanto sujeitos responsáveis pelo bom relacionamento entre pessoas, pelo estabelecimento e manutenção de com-preensões mútuas entre instituições públicas ou privadas e as pessoas a elas ligadas, deve estar atento a tais questões. Esse pro-fissional ao estabelecer, em uma empresa ou organização, princípios éticos deve procurar conhecer, apoiando-se em estudos e pesquisas de Antropologia, Sociologia e outros, os contextos onde está inse-rido. Isso, considerando-se uma ética local ou pontual, pois ainda está em debate entre os pensadores a criação da Ética Universal, cuja busca vem do século XVIII e com Kant.
Diz GALLO (1997) chamar-se "Ética a parte da Filosofia que se dedica a pensar as ações humanas e os seus funcionamentos", sendo um dos primeiros filósofos a pensá-la, Aristóteles. Este, dis-cípulo de Platão, viveu na Grécia do século IVa.C., época em que a Filosofia ensinava que todo conhecimento e todo trabalho visa o bem. E a busca do bem é o que difere a ação humana da de todos os outros animais. Aristóteles perguntou: "Qual o mais alto bem que se pode al-cançar pela ação? A Felicidade." E todos estão de acordo, tanto o homem do cotidiano como os grandes pensadores (a partir de Pla-tão) concordam que a finalidade da vida é ser feliz. Identifica-se o bem viver e o bem agir com o ser feliz. No entanto, argumenta Aristóteles que "a pergunta sobre o que é felicidade não é res-pondida igualmente por todos." Cada indivíduo tem sua resposta sin-gular, pois, para ele, cada ser tem sua própria essência e com tal uma expressão.
Embora importantes no estudo da Ética e preocupados com o bem-estar do Homem, os antigos filósofos não são completamente reverenciados pelos novos pensadores devido a seu apologismo ao racional. Eles consideraram inclusive a Felicidade como efeitos racionais, dependente apenas do sujeito e desconsiderando aspectos externo ao mesmo. É uma idéia equivocada, pois se o Ser Humano é social, sua existência não depende apenas de si, mas de um conjunto social que nele se manifesta. Sá (2000) exemplifica a tese:
É natural a traição para quem conviveu em um ambiente deformado, onde a tolerância para com a ingratidão, a prática da mentira, a quebra de sigilos, formaram hábitos ou não foram objeto de uma educação que pudesse cercear a produção de tais defeitos como estruturas da mente. É natural que em ambiente de imoralidade os vilões se procriem.
O Homem, assim como é um ser social que exterioriza as experiências adquiridas em seu ambiente, tem capacidade de re-adaptação, é um ser maleável ao convívio de um novo conjunto social. Logo, veremos mais adiante que, considerando o que foi acima mencionado, há necessidade de se estabelecer, em uma co-munidade qualquer, um conjunto qualquer de pessoas, um processo educativo permanente sobre Direitos Humanos, assim como sobre a Ética. Como faz constatar a história, desde muitos séculos antes de Cristo a ética atrai a atenção de pensadores e teóricos das mais di-versas culturas. As pesquisas nesse tema encontram-se classificadas em uma ampla divisão, do técnico/automático ao comportamental, do material ao espiritual. E com a industrialização iniciada no século XVIII, outro tópico passa a ser questionado junto às questões éticas: a produção, contemporaneamente, mais do que nunca, visando lucro.
Aliás, envolvendo lucro, produção, retornos sociais, a exigência de uma ética pela sociedade, segundo Humberg (apud Kunsch 2000), vem ocorrendo em todos os países, de forma crescente. Apesar de ser um fenômeno mundial, este autor diz poder-se apontar como origem os Estados Unidos, a partir dos anos 70, quando empresas foram apanhadas subornando autoridades do País e do exterior. Assim, percebe-se que, inicialmente com a industrialização, depois com a automatização, mecanização do trabalho e da sociedade, iniciando com pensadores do século XVIII e dando continuidade modernamente, não se busca apenas a Ética, mas a possibilidade de uma Ética de validade Universal. A favor dessa perspectiva tem-se dois pontos: 1. se já foi possível a criação de uma Declaração Universal dos Direitos do Homem, objetivando salvaguardar a integridade física e mental do Ser Humano em qualquer localidade; e 2. se a Ética não é algo palpável, não tem massa, portanto, não ocupa lugar, quem sabe se possa criar uma Ética Universal, visando a convivência harmônica entre os povos, as pessoas e, fundamentalmente, entre os Seres Humanos.
Do descrito até aqui, constatar-se sempre a delimitação da Ética, tal como já foi objeto de reflexão por Lacan, em seu seminário de 1959-60. Badiou (1993) o retoma para dizer que "a ética deve ser tomada no sentido suposto por Lacan quando fala de ética da psicanálise." Para o autor não existe senão ética de. Mas, para refletir, mesmo considerando-se essa delimitação, pode-se pensar na questão e sua abrangência; ter-se-ia uma Ética Universal, definindo-a como a Ética "do Ser Humano", ou Ética "do Homem".
Na busca de um conceito para a Ética "do Ser Humano", re-tornar-se-ia ao princípio dos estudos, séculos antes de Cristo, quando a Filosofia ensinava que a ação humana deve visar o bem. Tomar-se-iam os primeiros filósofos, a partir de Aristóteles, e seus pen-samentos sobre a finalidade da vida: Ser Feliz. BADIOU (1995) modernamente explica:
Supõe-se que exista um sujeito humano reconhecível em toda parte, que possui "direitos" de algum modo naturais: direito de sobreviver, de não ser maltratado, de dispor de liberdades "fundamentais" [...]. Esses direitos são considerados evidentes e merecedores de um amplo consenso. A "ética" consiste em preocupar-se por esses direitos, fazer com que sejam respeitados.
Portanto, em relação à Ética, bem como aos Direitos Humanos, fazendo-se um levantamento sobre os temas, constata-se que a discussão e a reflexão são antigas, ao mesmo tempo em que estão longe de acabarem. Entretanto, modernamente, tais questões começam a se inter relacionar; Badiou(1993) traz um testemunho: "O âmago da questão é a suposição de um Sujeito humano universal, capaz de coordenar a ética com os direitos do homem e com as ações humanitárias.".
É a preocupação de teóricos e pensadores para com a Harmonia entre os povos e com a natureza; a favor da vida saudável e do reconhecimento aos semelhantes com todas as suas diversidades e peculiaridades. A propósito, propõe-se que comuni-cadores sociais, em especial os pro-fissionais de Relações Públicas devem desenvolver atividades a serviço dessas preocupações.
RP e os Direitos Humanos na Empresa
No capitalismo sobrevive, considerando-se empresas e or-ganização, quem melhor sabe administrar seus recursos, sejam fi-nanceiros, sejam materiais, sejam humanos. Isso, considerando-se também as constantes transformações advindas da ciência e da tec-nologia. São descobertas que afetam o cotidiano: seja dos con-sumidores, seja das empresas; seja dos administradores, seja dos ad-ministrados. Pois, são perceptíveis as alterações que ocorrem com funções ou profissões: enquanto umas desaparecem, outras surgem. É o público a exigir prestação de outros serviço e produtos; os em-pregados precisando aperfeiçoamento, reciclagem de conhecimentos e habilidades; as relações hierárquicas exigem reposicionamentos; são novas atitudes e necessidades a serem tomadas, saciadas e problemas a serem resolvidos.
Assim, se o relações públicas tem o papel de articulador pelo bom relacionamento entre as pessoas, visando integrar hierarquias de poder, propiciar aperfeiçoamento profissional, responsabilidades, tudo regido pelo sistema capitalista, cabe também seu engajamento na questão dos Direitos Humanos. Afinal, apesar de a história ligar o relações públicas com empresas, a vantagem de sua presença pode ser percebida em qualquer contexto que envolva contato entre pes-soas. Ele deve incentivar a vida comunitária, o respeito aos diferentes e às diferenças; via informações e inúmeras técnicas de trabalho, pode contribuir com os indivíduos no conforto de vida, integridade pessoal, integração social e profissional.
Finalmente, é função do profissional de relações públicas de-senvolver políticas de esclarecimento mútuos; propor reuniões para negociarem-se amenizações de problemas que existam dentro da empresa; elencar propostas que transformem, ou eliminem, as con-dições prejudiciais ao profissional no emprego, em sua vida pessoal e social, e que repercutem diretamente no rendimento do tra-balhador e, conseqüentemente, no rendimento da empresa. O re-lações públicas pode ser capaz de detectar detalhes positivos e po-sitivos, assim como deve ser o responsável pela comunicação das or-ganizações. Através desse profissional, ela pode condicionar a inte-ratividade entre os públicos com que se relaciona, comprometendo-os para com a mesma. Esse profissional deve estar ligado aos in-teresses de todas as partes, fazendo com que objetivos da direção, de funcionários e da comunidade estejam em acordo, beneficiando a todos, visando o progresso, o bom convívio e o bem social.
Nessa perspectiva, o profissional precisa tomar decisões que envolvem pessoas, ideais, regras, posturas e culturas. Estas decisões devem ser as menos danosas possível, seja para qual parte for, o que implica dizer que ele toma decisões consideradas éticas. Para tanto, tem-se três características importantes envolvendo o universo das relações públicas: 1º. ser ético; 2º. detectar situações que en-volvam ética; e 3º. construir e estabelecer códigos ou manuais de ética dentro das empresas ou organizações.
Retomando os temas acima desenvolvidos, e salientando esses importantes aspectos, tem-se o destaque de Sá (2000): "não posso conceber uma comunidade profissional que não esteja regida por uma norma de conduta ética e que não eduque seu grupo, constantemente". A autora propõe que tal raciocínio se estenda: e-ducar-se o público constantemente para criar-se a cultura do Dever Respeitar às diferenças e o semelhante; do Direito ao re-co-nhecimento, à inte-gração pessoal, profissional e social, à Har-monia interpessoal e junto Natureza, ou meio ambiente saudável.
O profissional de relações públicas pode ter o limite de tra-balhar a cultura dos Direitos Humanos dentro de uma empresa ou organização, mas devemos reconhecer que as pessoas que nelas tra-balham certamente se relacionam com outras fora desse limite. Por-tanto, se conseguir-se tornar esta uma cultura involuntária, ela terá efeitos além; as pessoas passarão a reconhecer naturalmente os ou-tros e a respeitar suas personalidades. Ou seja, estabelece-se uma ampla teia de reconhecimento aos Deveres e Direitos que cada in-divíduo tem para com seus semelhantes. Na adesão dos demais co-municadores sociais, tece-se uma infinita teia de bons relacio-namentos entre Humanos, e dos Humanos com a Natureza. Afinal, é desejo de todos ter crescimento, benefícios, solidez....
Bibliografia
BADIOU, Alain. Ética: um ensaio sobre a consciência do mal. Rio de
Janeiro: Relume-Dumará, 1995.
BRUM, Analisa de Medeiros. Endomarketing. 2.ed. Porto Alegre:
Ortiz, 1994.
DORNELLES, João Ricardo W. O que são Direitos Humanos. 2.ed. São
Paulo: Brasiliense, 1993.
KUNSCH, Margarida Krohling. Relações Públicas e Modernidade: novos
paradigmas na comunicação organizacional. São Paulo: Summus, 1997.
_____. Obtendo resultados com Relações Públicas. São Paulo:
Pioneira, 2000.
GALLO, Sílvio. Ética e Cidadania. Campinas: Papirus, 1997.
LACAN, Jacques. A ética da psicanálise. 2.ed. Rio de Janeiro:
Jorge Zahar, 1991.
PERUZZO, Cecilia Krohling. Relações Públicas no Modo de Produção
Capitalista. 2.ed. São Paulo: Summus, 1986.
SÁ, Antônio Lopes de. Ética Profissional. 3.ed. São Paulo: Atlas, 2000.
SIMÕES, Roberto Porto. Relações Públicas: Função Política. São
Paulo: Summus, 1995.
Publicado por james stewart às 12:44 EM
RELAÇÕES PÚBLICAS 19
REQUISITOS PARA UMA BOA IMAGEM
REQUISITOS PARA UMA BOA IMAGEM
PONTUALIDADE
Em negociações internacionais o conceito de pontualidade varia. No Brasil e na América Latina em geral, aceita-se um atraso de meia hora; na Alemanha e na Suíça exige-se pontualidade rigorosa. Em qualquer caso, nos compromissos profissionais, um atraso pode comprometer o negócio e, quem quer dar boa imagem de si próprio, deve procurar ser pontual.
Se a reunião se atrasar, quem ficou à espera pode ficar irritado e começará o contacto na defensiva ou mesmo com espírito de não cooperação. A pontualidade deve ser a norma nos compromissos profissionais e deve ser cumprida, sobretudo, tratando-se de reuniões com muitos participantes, até para evitar que quem preside aos trabalhos tenha de fazer um breve sumário do que já foi discutido cada vez que chega um retardatário, o que irrita os participantes que chegaram a horas.
SER BEM EDUCADO E POSITIVO
Toda a gente reage melhor a uma crítica que começa com um elogio e que é feita de forma cordata e positiva.
Há maneiras de dar ordens que facilitam o seu cumprimento. O uso do condicional, por exemplo, ou de um sorriso a acompanhar a frase, não são sinais de fraqueza, mas de consideração pelos outros.
MOSTRAR CONSIDERAÇÃO
Deve ser a preocupação de quem pretende criar uma boa relação interpessoal entre todos os elementos do grupo empresarial.
Das pessoas com que temos de lidar no dia-a-dia, umas podem ser mais simpáticas do que outras, mas todas nos devem merecer a mesma consideração se queremos obter a sua colaboração empenhada.
DISCRIÇÃO
Nada pode prejudicar mais uma carreira do que uma indiscrição.
Ainda que seja para demonstrar que se está dentro de todos os assuntos da empresa, não se deve nunca quebrar o sigilo profissional, mesmo junto dos seus amigos mais íntimos. Nunca se deve revelar nada sobre a empresa ou sobre os seus colaboradores que possa causar prejuízo se aparecer nos jornais do dia seguinte.
Por outro lado, deve-se procurar não chamar demasiado a atenção para o que se faz nem para a sua importância profissional. Seja a falar, seja a vestir, seja a lidar com as outras pessoas, o comportamento deve ser irrepreensível mas discreto.
IMAGEM PESSOAL
A imagem pessoal resulta do conjunto formado pela aparência física, pela linguagem não verbal e pela maneira de vestir.
A maneira como uma pessoa se veste contribui de maneira decisiva para melhorar ou degradar a imagem.
Há trajes apropriados para cada ocasião: trajes de trabalho, trajes desportivos, trajes de mais ou menos cerimónia, trajes formais ou informais. A regra essencial é que cada um se sinta bem com o que veste.
Publicado por james stewart às 12:41 EM